Home Móvel Review Samsung Galaxy S5

Chegados aquela altura do ano em que as marcas de smartphones decidem pôr-nos o cartão de crédito à prova decidimos inverter os papéis e sermos nós a avalia-los, desta feita com o mais recente topo de gama da Samsung, o Galaxy S5.

Desde a introdução o primeiro Galaxy S o percurso da Samsung Mobile tem sido marcado com vários processos judiciais com a arqui-inimiga Apple, contudo seguindo a máxima que diz “não há má nem boa publicidade” a verdade é que cada iteração desta gama tem tido mais sucesso que a anterior levando a que em 2013 a Samsung fechasse o ano com a maior fatia de mercado (31,5%) seguida pela Apple (15,5%).

Mas nem só de publicidade vive a Samsung, os seus topos de gama estão geralmente equipados com o melhor hardware disponível e este S5 não é excepção.

Ecrã 5.1″ 1920×1080 Super AMOLED
Processador 2.5Ghz Snapdragon 801 (quadcore)
RAM 2GB LPDDR3
Armazenamento 16/32GB expansíveis por MicroSD
Camara 16MP traseira, 2MP frontal
Bateria 2800mAh (removível)
Redes móveis LTE/WCDMA/HSDPA/GSM
Wi-Fi 802.11 a/b/g/n/ac
Outros Wi-Fi hotspotInfravermelhosLeitor de impressões digitaisLeitor de ritmo cardíacoIP67 resistente a poeiras e água
Portas microUSB, 3.5mm jack
Cores Preto – Branco – Azul – Dourado
Dimensões (AxLxE) 142.0 x 72.5 x 8.1mm
Peso 145g

A caixa assemelha-se ao que a marca já nos tem habituado desde o primeiro Galaxy S, tendo desde o S4 optado por imprimir um padrão a imitar madeira no cartão. Dentro mais do mesmo, os habituais auriculares, cabo microUSB, carregador de 2.0A e a papelada que ninguém quer saber.

Hardware

-Design

O design desta versão é um exercício de continuidade sobre o S4, as formas rectangulares impõe-se sobre as outroras arredondadas (hei S3!) o resultado é uma sensação de familiariedade para os habituados à marca.

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A capa traseira tem um novo acabento que se sente bem macio nas mãos, deixou de ser brilhante para ter um look mais fusco o que poderá a longo prazo minimizar aqueles risquinhos habituais inerentes de pousar o telefone em superfícies irregulares.

Na frente temos ecrã, botões, sensores, câmara frontal e auscultador. A configuração dos botões viu-se alterada face aos restantes modelos, o botão “MENU” é agora o das aplicações recentes ficando assim “MENU”-“HOME”-“RETROCEDER”, uma configuração já usada há algum tempo pela HTC nos One V/S/X. A queda do botão de Menu deve-se às directivas da google que dizem aos programadores que as aplicações não devem depender de botões físicos, na altura a adopção prematura pela HTC foi alvo de duras críticas pelos utilizadores dado que grande parte dos programadores ainda não tinham actualizado as suas aplicações para esta realidade (ex Facebook). Menção ainda para o botão Home que se desdobra em leitor de impressões digitais.

Samsung Galaxy S5

Os mais meticulosos repararão ainda na parte superior direita onde se encontram os sensores de proximidade, luminosidade e a câmara frontal, a solução adoptada para as suas localizações parece ter sido alvo de pouco cuidado pois parecem ali postos ao azar, sem qualquer alinhamento.

Samsung Galaxy S5

Nas lateral esquerda temos o botão de Power, no topo o Jack 3,5mm e o emissor de infravermelhos, na lateral direita os controlos de volume e no fundo a porta microUSB protegida de infiltrações de água por uma tampa com vedante.

Samsung Galaxy S5 Samsung Galaxy S5

-SoC

O Snapdragon 801 é um SoC variante do S800 que vê incluído o suporte para eMMC 5.0 e a frequência de clock aumentada agora para 2,5Ghz. Este SoC é o actual king of the hill no que a plataformas moveis diz respeito, smartphones como o HTC One M8, Samsung Galaxy Note 3, Sony Xperia Z1/Z2 e Nexus 5 estão equipados com ele ou com a versão 800. Os resultados são uma experiência de utilização muito suave sem lags nem quebras (fora quando a optimização do software não corresponde).

A parte gráfica está a cargo da Adreno 330 que tem poder para correr os mais exigentes jogos 3D sem grande preocupação, contudo parece haver algo a impedir o SoC de dar todo o seu poder sendo possível encontrar algum lag ao correr jogos como o Asphalt 8. Não sabemos até que ponto pode estar relacionado mas tal pode dever-se a perfis de gerência do SoC mais conservadores de modo a que o telefone não sobre-aqueça, pode também dever-se a alguma aresta por polir no software da Samsung podendo isto ser corrigido por futuras actualizações.

Todos sabemos que os benchmarks valem o que valem, no entanto para o pessoal que gosta de números aqui ficam uns quantos:

Antutu 35979
Antutu X 36658
Quadrant 23925
Vellamo HTML5: 1602METAL: 1193

No decorrer destes testes deixamos o brilho sempre no máximo, a bateria desceu de 98% para 83%, foram executados pela ordem apresentada e sempre sem aplicações a correr de fundo. Ao chegar ao Vellamo já se notou um ligeiro aquecimento nas partes à volta da câmara.

-Ecrã

A Samsung sendo um dos maiores fornecedores de paineis, conhecida pelos vibrantes2 AMOLED, não iria deixar a sua coqueluche atrás da concorrência. Falamos portanto de um ecrã Full HD 1080p de 5.1″ com aproximadamente 432PPI. A Samsung nos seus AMOLED tem optado por arranjar os subpixeis de forma diferente aos convencionais LCD RGB, neste caso e como já aconteceu com o Galaxy S4 os subpixeis estão arranjados numa matriz com forma de diamante sendo os subpixeis verdes os predominantes (R: 305SPPI, G:432SPPI, B:305SPPI). Se isto foi demasiado técnico a ideia a reter é que a Samsung arranjou os subpixeis desta forma de maneira a diminuir o aliasing ao serem desenhadas linhas verticais que era onde mais se notava (hei again S3!). E agora dizem vocês, “e conseguiram?” mais ou menos. As linhas já não se notam tão serradas mas em fundos brancos nota-se que não é perfeitamente branco.

Samsung Galaxy S5

Em contrapartida os pretos são isso mesmo e os ângulos de visão são espetaculares. A calibração do ecrã por defeito é um pouco sobresaturada e houveram muitas críticas a esse aspecto na altura em que os primeiros AMOLED apareceram, ainda na era do Windows Mobile. Agora desde o Galaxy S4 que a Samsung incluiu nas definições várias calibrações e em modo Cinema conseguimos cores mais precisas.

Samsung Galaxy S5

À luz do dia nota-se um grande salto para o S4 que era um pouco sofrível quando visto contra o sol. Configurado com o brilho ao máximo, ou automático o painel AMOLED só deixa de ser legível se o sol lhe bater directamente.

OLYMPUS DIGITAL CAMERA

-Câmara

A câmara é um dos factores que acaba por decidir a escolha de um telefone sobre o outro e o HTC One M7 é um exemplo disso, a escolha de uma câmara com pouca resolução “matou” as vendas de um smartphone que podia ter sido um killer.

Neste campo a Samsung joga sempre pelo seguro e no S5 apostaram num sensor com 16mpx, mais 2mpx que o mais velho S4 no entanto fê-lo sem diminuir o tamanho dos pixeis que é o mesmo que dizer que aumentou o tamanho do sensor. A abertura é ƒ2.2 e a distância focal 4.8mm onde o S4 tinha 4.24mm portanto “cabem menos pessoas” nas fotos. Continuando com números a Samsung diz que a focagem é feita em 0,3s, a ISO pode ir até 800.

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Não obstante os números não são tudo, a aplicação da câmara é outro campo onde os programadores e os designers ficaram a dormir. Para os fotografos ocasionais os atalhos essenciais estão lá e bem marcados (HDR, flash, troca de câmara e os modos) no entanto quem quiser alterar parâmetros mais específicos terá que mergulhar nos imensos quadradinhos que aparecem após carregar na roda dentada.

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Softwares e números aparte os resultados desta câmara são muito bons,  com boa luminosidade a alta resolução faz com que as fotos não percam detalhe e como se pode ver pelas imagens de amostra, as cores são vivas mas não deixam de ser reais. Todavia quando a luz escasseia o detalhe extra que a resolução a mais lhe aufere converte-se em ruído pois ao serem tantos milhões de pixeis parte da luz perde-se nas “paredes” entre eles.

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As imagens em resolução original podem encontrar-se aqui.

-Som

Desde que no ano passado foi apresentado o HTC One M7 que a parada subiu, depois de um ano com o M7 qualquer outro telefone soa a rádioFM de 3€ (hei Xperia Z1). Com este S5 a história não foi diferente. Pela coluna o volume até é bom (talvez ainda maior que o do One M7), no entanto não tem qualquer profundidade, é um som seco. Pelos auricurales o volume é alto q.b. no entanto aqui o som é muito mais rico e melhor que no One M7 quando tem o qualizador Beats Audio activo (demasiados graves).

 

-Bateria

Samsung Galaxy S5

Face ao seu antecessor a bateria vê-se aumentada em 200mAh para 2800mAh excusado será dizer que isso se traduz em mais horas de utilização. A autonomia acba por ser muito boa. Usando o equipamento com 6 contas de email, várias redes sociais, algum web browsing e uns 20minutos de conversa conseguimos chegar ao fim do dia com 4horas de ecrã activo e ainda um restinho de bateria. Para os que liguem menos ao telefone (se é que existem) julgamos que não seja díficil chegar aos 2dias com uma carga, caso seja assim como a HTC apresentou um modo de super mega extra poupança de energia a Samsung replicou-o. Neste modo o ecrã fica em tons de cinzento e só temos acesso a determinadas aplicações, entre elas o ChatOn (quem usa isso?). A Samsung diz que é possível chegar a 24horas de utilização com apenas 10% de bateria, como é óbvio ninguém quer ter um Smartphone e converte-lo como um Dumbphone portanto este teste ficou por fazer.

-Leitor impressões digitais

Uma das características que poderia marcar a diferença entre a escolha de um topo de gama ou outro acaba por estar muito mal implementada. Ao contrário do que acontece no iPhone 5S, onde para desbloquearmos o telefone apenas temos que repousar o dedo sobre o botão, no Galaxy S5 a história é outra e somos obrigado a deslizar o dedo sobre o botão home, um pouco como acontece nos portáteis que tem este sensor. O problema é que quando seguramos o telefone com uma mão (o que para nós representa a mior parte das vezes) o sensor não consegue ler o polegar “inclinado”. Para além disso mesmo deslizando o dedo normalmente, é muito normal acontecer da impressão não ser correctamente lida logo à primeira, pedindo-nos para que deslizemos o dedo mais depressa/devagar ou que posicinemos o dedo mais no centro. Assim sendo torna-se numa função que acabamos por desligar.

-Leitor de ritmo cardíaco

Samsung Galaxy S5

Este sensor por sua vez é menos falível contudo a sua utilização é um pouco questionável. Assim como a Apple apresentou esta semana a Health e o Health Kit (para programadores) a Samsung também está a tentar trilhar um caminho no acompanhamento da saúde dos utilizadores dos seus terminais tendo iniciado este no Galaxy S4 com a aplicação S Health. Para os realmente interessados na sua condição física o sensor em si embora funcione bem fica um pouco aquém do exigido portanto a aquisição de um Gear é indispensável.

-Software

Se no design exterior a aposta foi na continuidade no que a software toca as coisas mudaram um pouco. Está tudo um pouco confuso. A adoção de ícones redondos para os atalhos (apesar de bem desenhados) não encaixa com a UI do Android e tal só acontecerá se a Samsung decidir voltar aos básicos e adoptar uma skin para para os ícones como fez com o primeiro Galaxy S coisa que certamente não acontecerá.

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Para além dos ícones encontram-se mais inconsistências no software, por exemplo embora o launcher agora nos permita fazer pastas essas pastas tem uma página especial para elas e não podem ser colocadas nas páginas para aplicações. Em grande parte das apps da Samsung a navegação é feita por separadores, não se entende porquê que no relógio a mudança entre separadores pode ser feita com um deslizar de dedo para cada lado e em outras como as definições e a Música não. As definições mereciam um capítulo só para elas, sabem quanto tempo perdemos a procurar a bateria e a opção de restauro de sistema? 5minutos, e não somos propriamente leigos na matéria. Se por um lado fizeram bem em permitir vários tipos de visualizações (Lista/Grelha/Separadores) por outro não sabemos o que lhes terá passado pela cabeça para no modo lista termos 63 (sim sessenta e três) opções em que podemos entrar.

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De volta ao launcher, este permite 7 ecrãs e um pouco ao jeito do BlinkFeed da HTC se deslizarmos o dedo para a direita temos acesso à “Minha Revista” que não é mais que um atalho para o Flipboard. De notar um ligeiro lag ao escolhermos outra localização no widget de previsão metereológica.

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Nota positiva para o facto de terem incluído um gestor de ficheiros, como muitos saberão com o KitKat a google proibiu que aplicações de terceiros como o ES File Explorer tenham acesso total ao MicroSD o que pode tornar o mover de fotos da memória interna para o MicroSD numa dor de cabeça. Neste caso como o Gestor de Ficheiros é uma app proprietária da Samsung não tem qualquer problema em escrever no MicroSD.

O sentimento que fica é que neste ponto este software não é um produto acabado, é algo que precisa de um pouco mais de trabalho e dedicação por parte dos designers e dos programadores.

-Conclusões

No que a hardware diz respeito o Galaxy S5 está claramente um passo à frente do seu antecessor (muito em parte ao excelente S801), todavia para os que tem o S4 não achamos que ganhem muito com o upgrade, então os sortudos possuidores da versão GT-i9506 muito menos.

Samsung Galaxy S5

Para quem procura um telefone relativamente compacto, leve, com bom ecrã, boa a muito boa câmara, resistência a água e poeiras este é na nossa opinião o indicado (tendo já um de nós testado um Xperia Z1).

Considerando tudo este é como muitos dizem um Galaxy S4S pois se excluirmos o sensor de impressões digitais e o leitor de ritmo cardíaco ficamos com um S4 em esteróides. Será este um sinal de que a Samsung poderá adoptar um ciclo de actualização de terminais um pouco como a Apple?

samsung galaxy s5 8.7 em 10 lilireviews
Pontos Fortes
+ Excelente câmara
+ Protecão de poeiras e água
+ Snapdragon S801
Pontos Fracos
– Software com arestas por limar
– Má implementação do sensor de impressões digitais
– Similariedades com o Galaxy S4



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