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Introdução

A Saitek é uma empresa que ganhou o respeito e reconhecimento dos seus clientes ao lançar produtos de qualidade, desde que foi criada em 1979, até ao momento que se começou a dedicar aos controladores de jogos, 1994, e mais tarde já em 2007 foi comprada pela Mad Catz. Poderão já ter ouvido falar de uma marca que acompanha a Saitek sob guarda da Mad Catz, a Cyborg, com os seus periféricos também de qualidade e reconhecidos pela personalização extrema.

Outra prova de que esta empresa cria periféricos extremamente realistas e com grande longevidade é o facto desta equipar muitos cursos de voo com o seu material, permitindo assim a iniciantes uma experiência realista sem tirarem os pés do chão.

Hoje vamos falar mais especificamente do Saitek ProFlight X-65F, um joystick carregado de atributos e com extras que o completam de uma maneira espantosa.

O ProFlight X-65F é um sistema HOTAS, e o que é isto? HOTAS representa “hands on throttle and stick”, mãos no acelerador e joystick. Esta é uma boa maneira de começar a descrever o conjunto de 3 peças, joystick como era de esperar, throttle (manetes de aceleração), e painel de controlo com várias funções.

Entre as várias características deste X-65F a que o distingue mais é o Force Sensing. Este é o primeiro joystick da Saitek, e na altura do seu lançamento primeiro do mundo, com esta tecnologia inovadora, basta dizer que esta se inspirou nos controlos de caças reais como o F-16 ou o F-22 onde o controlo do joystick é feito da mesma forma. O que isto permite é que vários sensores no joystick sintam a pressão feita pelo utilizador, nos eixos X, Y e Z (rotação), sem que o stick se mova. Desta forma o controlo é extremamente preciso e com uma resposta realista sem nenhum tipo de atrasos, exceto o de comunicação entre o hardware (milissegundos), para além disto o facto de não necessitar de partes móveis dá uma longevidade extra a esta peça.

Para além disto podem ainda contar com:

  • Construção em metal de alta qualidade
  • Ajuste de força em tempo real
  • Dupla manete de controlo de potência, com possibilidade de separação ou controlo simultâneo das duas
  • Controladores no stick
    • 3 hats x 8-sentidos
    • 1 hat de polegar x 8-sentidos
    • 1 gatilho
    • 2 botões
    • 2 interruptores para o mindinho
  •  Controladores da manete de aceleração:
    • 2 anéis rotativos (com botão de pressão)
    • 1 hat que faz de rato
    • 4 hats x 8-sentidos
    • 1 switch tipo “K” com 2 sentidos
    • 1 roda de deslocamento
    • 1 selecionador de modo por deslocamento
  • Painel de controlo com 5 switches de controlo, selecionador de força do force-sensing, indicador de modo, e pontos de montagem no Saitek Pro Flight Instrument Panels (vendido em separado)
  • Um total de 608 potências comandos possíveis sem ter de mover as mãos dos controladores!

 

Embalagem e Conteúdo

Por fora uma pessoa que não saiba de que modelo se trata não diria que dentro está uma espantosa peça de hardware, isto porque o tema da caixa parece ser o de uma caixa de transporte militar (logo discreta), sendo esta de cartão com várias inscrições a preto, onde a que se destaca mais é a que diz “Declassified” (desclassificado), não no sentido de eliminado mas no sentido de algo que era segredo e deixou de o ser. Apesar da caixa ser de cartão apenas com uma pega de plástico em cima não deixa de ter um sistema de abertura seguro, utilizando para isto um de dobras entrelaçadas nas arestas, não deixando assim cair acidentalmente o equipamento no interior.

No interior temos o que já é costume em material Saitek, uma peça única de espuma preta com recortes do tamanho exato de cada peça, com outro bloco de espuma em cima, garantindo assim um transporte seguro durante toda a viagem que a caixa possa fazer.

Uma das primeiras coisas que podemos reparar ao pegar na caixa é o seu peso, e quase todo é responsabilidade do material de construção dos componentes, metal de alta qualidade, tanto no joystick como na manete de aceleração.

No interior podemos encontrar então o joystick e a manete de aceleração, assim como 2 suportes e parafusos para ligar os painéis de controlo à base do acelerador, uma base que permite segurar o joystick a uma mesa através de fitas de velcro também incluídas, e ainda uma estrutura cúbica para encaixar outro painel de controlo, já que a Saitek possui inúmeros extensores de simulação. Uma característica comum a todo o material é a sua qualidade de construção irrepreensível.

Joystick

O joystick… é difícil saber por onde começar a descrever esta peça. Com os seus 4 hats de 8 sentidos, os 2 botões e os 3 triggers, onde 2 são dedicados ao mindinho é espantoso ver como se consegue encaixar todo este controlo apenas numa mão criando ao mesmo tempo espaço suficiente para um uso confortável. E mais uma vez para acompanhar o realismo, esta unidade tem o mesmo tamanho sensivelmente que o stick usado em aviões reais.

Se o joystick já tinha bom aspeto mesmo desligado, então ligado fica ainda melhor. Este apresenta uma iluminação na base dos 2 hats direcionais na parte direita, assim como no hat a meio do joystick. A iluminação é de cor verde e a intensidade é subtil o suficiente para se notar sem chamar demasiado a atenção.

Mais uma vez a reforçar a personalização, a Saitek desenhou os hats do topo de maneira a que estes possam ser trocados entre si desapertando apenas o parafuso que se pode ver no centro de cada um, isto é útil apenas de um ponto de vista estético e táctil, sendo um hat completamente liso em forma de cone e os outros 2 com sulcos, e a troca não afeta a função das teclas que estes representam.

Continuando para uma zona mais abaixo chegamos ao apoio da mão, composto por um plástico suave, que pode ser removido, deixando assim apenas a base que o suportava, que é por sua vez de menor tamanho.

Manete de aceleração

Mais uma vez a primeira sensação ao colocar a mão sobre a manete é a de conforto dada a sua ergonomia, e também uma de robustez, não existindo nenhuma oscilação que não seja suposto.

O movimento das manetes é pesado permitindo assim um controlo mais preciso e realista, no entanto este pode ser ajustado através de um aperto de um parafuso. A acompanhar o movimento das manetes podemos ver uma escala indicadora desenhada perto do eixo de rotação que vai de 0 a 100, onde existe ainda uma zona depois do final da escala que pode ser usada para afterburns, isto claro em jogos que suportem esta opção. É possível ainda realizar um movimento individual de cada manete, bastando para isto deslocar um botão que as tranca, isto torna o movimento de cada uma mais leve.

Ainda nas manetes podemos encontrar essencialmente 2 zonas com botões. O grupo de botões na manete direita é suposto ser completamente operado pelo polegar com 2 hats direcionais, um stick que controla o rato extremamente útil, 2 botões rotativos com rotação limitada e um switch que permite efetuar a troca de modos. A outra zona, que fica por detrás das 2 manetes, pode ser controlada com os restantes dedos e inclui 2 hats direcionais, um switch de 2 posições e ainda uma roda de deslocamento vertical.

Painel de Controlo

No painel de controlo podemos ver 4 zonas delimitadas por linhas amarelas, a primeira no canto superior esquerdo aloja um botão com proteção, a direita superior apresenta o modo a ser usado no momento através de luzes, em baixo à esquerda podemos efetuar a troca de modos de força utilizados pela tecnologia Force Sensing e para finalizar no canto inferior direito temos 4 botões capazes de guardar e executar macros.

Para assegurar a comunicação entre os componentes e o PC são usados 3 cabos, todos eles partem da base do módulo de throttle, de uma maneira bastante discreta, onde um se liga ao painel de controlo e outro ao joystick através de uma ficha de 6 pinos, e o 3º cabo é ligado a uma porta USB ao PC. Os cabos tem funções bem sinalizadas e podem ser organizados de uma maneira arrumada.

Instalação e Software

Inicialmente vi-me obrigado a instalar os drivers básicos que vinham no CD com o periférico porque os links para a versão mais recente no site se encontravam em baixo.

Estes tem um interface aceitável mas bastantes simples e limitado sem grandes ajudas, pelo que necessitei de ler com algum detalhe o manual para conseguir efetuar uma calibração correta do joystick. Contudo no dia seguinte os ficheiros já se encontravam disponíveis no site e desta vez descarreguei uma versão melhorada do software, intitulada pela Saitek como Smart Technology Programming Software.

Nesta versão somos presenteados com uma interface muito mais apelativa, organizada, e ainda com opções extra, contudo a calibração dos vários eixos apenas pode ser feita no software básico, não havendo essa opção neste.

O ecrã inicial do software do X-65F mostra-nos uma foto do periférico assim como informações da versão do driver utilizado e do software.

Na página seguinte podemos efetuar um ajuste às forças exercidas no joystick para os 4 níveis selecionaveis durante o jogo, podendo guardar e carregar vários perfis para este efeito.

Na terceira página podemos executar testes para confirmar se todos os botões estão em boas condições, assim como atribuir ações individuais ou macros a cada um, para os 4 modos selecionáveis na manete de aceleração, e isto sim é realmente fantástico. Esta página dá a possibilidade ao utilizador de efetuar uma personalização ao nível do software extrema, podendo assim garantir a compatibilidade com qualquer jogo que queira, sendo a atribuição de ações um processo bastante simples.

É ainda importante referir que todas estas alterações podem ser guardadas sob um único perfil, sendo possível guardar e importar perfis, dando a possibilidade a múltiplos utilizadores usarem o mesmo equipamento sem perder virtualmente tempo nenhum na reposição das configurações.

 

Jogabilidade

Sistema de testes:

  • SO: Windows 7 SP1 x64
  • Motherboard: Asus P8P67 RevB3
  • Processador: i5 2500K @ 4.2
  • Memórias: GSkill Ripjaws-X PC3-12800 1600 MHz 8GB
  • Placa gráfica: NVidia GeForce GTX 460
  • Placa de som: Asus Xonar DX
  • Disco: Western Digital 500 GB 7200 rpm
  • Fonte de alimentação: Corsair TX 750W
  • Jogos utilizados: Flight Simulator X9, H.A.W.X. e Lock On 1.1 Demo

Na altura do lançamento estes eram os jogos com suporte imediato (out of the box) para o X-65F, a lista provavelmente aumentou desde ai:

  • Flight Sim X
  • Flight Sim 2004
  • X-Plane
  • Lock on & Lock on: Flaming Cliffs
  • Falcon 4 Allied Force
  • DSC Black Shark
  • IL2 e add on’s
  • Rise of Flight
  • Combat Flight Sim 3
  • H.A.W.X.

httpv://www.youtube.com/watch?v=3Q6BI0VEhDk

Fiz um pequeno vídeo em forma de visita guiada ao equipamento para que possam perceber o tamanho de todos os elementos, assim como uma demonstração para que vejam que o joystick realmente não se move, no entanto consegue ter uma sensibilidade extrema. De início consigo apenas com um dedo mover o avião, no entanto  aos 3:48 troco a configuração de força, e em tempo real consigo um controlo muito mais preciso e lento do avião.

Para testar comecei por usar a demo de Lock On 1.1, que vem incluída com o periférico. Só podemos testar 2 aviões mas são suficientes para o efeito. Neste jogo a grande quantidade de botões disponíveis é um trunfo deste X-65F, algo que não se notou tão importante no Fligth Sim FX 9, onde o stick que controla o rato desempenhou um papel mais importante. Uma coisa que notei foi a diferença na reação dos aviões entre o jogo H.A.W.X., que pretende ser uma experiência mais arcade e onde a sensibilidade do joystick não se fez notar tanto, enquanto que no FS X9 e Lock On 1.1, onde é suposto serem simuladores mais realistas, os aviões apresentaram uma resposta mais satisfatória à força exercida no joystick.

Todos os botões apresentaram uma boa reação sendo importante dar reconhecimento á Saitek por ter conseguido uma textura diferente para cada um, isto permite ao utilizador nunca tirar os olhos do ecrã e saber sempre o botão onde está a carregar, a Saitek está de parabéns aqui. Em relação ao posicionamento dos botões apenas tenho um reparo a fazer, os botões por detrás das manetes de velocidades foram algumas vezes premidos acidentalmente ao tentar reduzir a velocidade, pelo que tive de me habituar a segurar as manetes numa posição menos confortável.

Agora a característica inovadora, o Force Sensing, é realmente bom! A sensibilidade do hardware aliado á calibração precisa que pode ser feita no software permite uma personalização milimétrica.

Há apenas 2 pontos contraditórios na minha opinião, o bom é que as mudanças de direção nos aviões podem ser feitas com velocidade relâmpago, e a sensibilidade que se consegue on-the-fly com os 4 modos de força é espantosa, por outro lado, e ao contrário dos joysticks normais, não conseguimos ter completamente a certeza quando é que chegamos ao limite de força que é reconhecida pelo joystick, o que nos faz muitas vezes exercer força maior do que a necessária cansando mais o pulso. Contudo esta desvantagem pode ser mitigada após uma habituação à reação do periférico, já que este X-65F não é indicado para utilizadores ocasionais, este deve ser usado por alguém que realmente goste de simuladores e tenha paciência para otimizar cada vez mais a experiência proporcionada pelo X-65F.

Um último reparo, e pelo que investiguei é comum em alguns modelos do X-65F, é o facto de apesar de haver a possibilidade de controlar o atrito que a manete de aceleração sofre através de um parafuso na base desta, não o consegui fazer porque o parafuso parece estar tão apertado que não mexe para nenhum dos lados.

Conclusão

É muita a informação deixada em cima acerca deste Saitek X65-F, da série Pro Flight, mas toda ela é relevante, já que este sistema HOTAS é dos mais completos disponíveis no mercado.

Este consegue aliar um controlo extremo com uma quantidade impressionante de botões, praticamente todos personalizáveis com ações ou macros, um conforto para utilização longa, uma sensibilidade inatingível por outro joystick no mercado, uma adaptação quase perfeita a qualquer utilizador e uma qualidade de construção como poucos. Este terá de ser assim o sistema HOTAS de eleição para amantes da simulação aérea.

Contudo esta opinião pode mudar de acordo com 3 fatores, a habituação ao Force Sensing, a capacidade do utilizador para entender o software e os passos necessários para a calibração e personalização dos controlos, e por último mas não menos importante o investimento monetário necessário.

Para terminar basta concluir que este sistema, apesar de se adaptar a qualquer jogo, consegue triunfar como poucos em simulações de combate aéreo, dai o seu nome X-65F Pro Flight Combat Control System

O bom:

  • Botões e controlos para todos os gostos
  • Force sensing
  • Joystick + manete de aceleração + painel de controlo num só periférico
  • Personalização física e ao nível de software
  • Software muito completo
  • Qualidade de construção

O mau:

  • Preço elevado
  • Tempo de habituação e personalização

 

Um agradecimento à Fraggerz Stuff pela oportunidade de testar este Saitek ProFlight X-65F, que fica aqui com uma nota de 9,5 apenas porque é um periférico extremamente caro, mas quem corre por gosto não cansa…

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