Home Periféricos Roccat Kone

Introdução

Analisar um periférico como um rato ou um teclado é talvez uma das tarefas mais subjectivas e ingratas que se pode fazer. Cada pessoa tem o seu gosto pessoal sobre o objecto e cada um tem a sua posição para estar em frente ao pc, já para não falar dos diferentes tamanhos de mãos. O rato, a par do teclado, é a peça do sistema que mais usamos e é muito importante que seja o mais confortável possível e se adapte bem pois pode provocar algumas lesões. Por outro lado, uma vez que os portáteis se tornam mais vulgares, a portabilidade deste tipo de equipamento também tem um peso considerável na altura de comprar.

Desta vez trago-vos o Roccat Kone, o primeiro rato feito pela marca e um dos mais aclamados por todo o mundo. Resolvi compará-lo com o Logitech G9 que, na altura do lançamento, era considerado um dos melhores ratos do momento. Agora vamos ver o porquê.

Embalagem e Conteúdo

A embalagem do Kone é diferente do habitual, constituída por uma caixa de poliestireno, vulgo esferovite, que protege o conteúdo de pancadas mais fortes. Toda a embalagem é bem trabalhada a nível de design e causa uma boa primeira impressão.

O conteúdo está devidamente selado, talvez demasiado selado, é impossível abrir sem ter de cortar o plástico. Quem for mais impaciente e quiser logo começar a utilizar o rato vai passar um mau bocado com isto.

Incluído juntamente com o rato está uma caixa com quatro pesos (um dos quais já inserido no rato) e um mini-cd com informações, um guia de instalação rápida, um livrete de promoção do rato e um flyer publicitário. O guia de instalação rápida está escrito em diversas línguas no entanto não inclui português. O livrete de promoção ao rato oferece um cartão (tipo multibanco) com um código que serve para resgito no site da marca.

Em detalhe

Existem quatro configurações possíveis de ajuste dos pesos. Ao contrário de outras marcas, a Roccat decidiu colocar apenas um peso na base do rato, numa posição mais recuada. Isto permite que cada pessoa possa ajustar o rato ao seu gosto pessoal. No meu caso 20g.

O rato é bastante comprido (um pouco mais que 13cm) e bastante volumoso, com um corpo alto e curvo, no entanto não é exageradamente largo.

Tem duas faixas ao longo do corpo que emitem luz de diversas cores, configuráveis através de software. A posição dos botões laterais é soberba, nem muito na frente nem muito atrás, simplesmente ali. O descanço do polegar também está muito bem conseguido.

Atrás, o símbolo da marca também emite uma luz, também ela configurável através de software. a qualidade do material é bastatne boa, tem uma textura suave ao toque sem escorregar da mão. No entanto, ao fim de apenas alguns dias de utilização, já se nota a marca dos dedos no botões principais.

Se, por um lado, a parte esquerda do rato está muito bem conseguida e é extremamente confortável para a mão, já a parte direita deixa um pouco a desejar. Nota-se que o design do rato falou mais alto que o conforto uma vez que falta um sítio para descansar o anelar e o mindinho o que, ao fim de algumas horas de jog… trabalho, começa a pesar.

O rato tem 10 butões configuráveis. Pré-definidos, os botões que acompanham a roda servem para aumentar ou diminuir os DPI’s (+ e -) e para abrir o Menu do Windows (o outro com os traços). A roda é bastante suave a deslizar, faz um pequeno click que apenas se sente no dedo, é de um material mais aderente que o resto do rato e é bastante agradável de usar.

Utilizei diversas superfícies para testar o deslize e a resposta do sensor laser: uma base de plástico banalíssima, uma folha de papel, um tapete Corepad Magma (de vidro), umas calças de ganga (minhas) e ainda uma superfície de borracha. Exceptuando as calças, o rato portou-se sem problemas, sempre muito preciso e com muito pouco atrito. A Roccat desenvolveu uma tecnologia que melhora o desempenho do sensor laser consoante a superfície, o Tracking Control Unit (TCU) e que pode ser calibrado através de software.

Software

O software incluído permite fazer uma série de ajustes ao gosto de cada utilizador. No primeiro separador é possível ajustar a sensibilidade, os DPI’s, a velocidade do scroll, configurar 8 butões e ajustar a velocidade do duplo click. É possível guardar 5 profiles diferentes e atribuí-los a diferentes programas. É possível configurar macros e atribuí-los a diferentes botões.

No segundo separador é possível ajustar a cor de cada led assim como os efeitos de luz. Deste modo é possível obter uma enorme variedade de configurações.

O separador seguinte permite fazer ajustes avançados. É possível ajustar a sensibilidade nos eixos X e Y, ajustar a aceleração do rato, calibrar o TCU, alterar a velocidade do ponteiro no Windows, alterar a frequência do sinal e restaurar as definições de fábrica.

No quarto separador é possível procurar actualizações de software e firmware. Desde que foi colocado no mercado (em Setembro) já foram lançadas algumas actualizações, portanto estejam atentos a esta parte.

O último separador é uma secção de ajuda e suporte.

Conclusão

De um modo geral este equipamento é bastante completo e tem um qualidade muito boa. A adaptação é fácil e após algumas horas de uso os headshots fluem rapidamente. Não vai tornar ninguém num profissional ao fim de 4 horas mas vai ajudar no caminho para lá.

Os aspectos que achei mais positivos neste rato foram sem dúvida o tamanho que se adapta muito bem a todos os tamanhos de mãos, o posicionamento dos botões, a qualidade dos materiais, o software incluído, o conforto geral da mão e a precisão do laser. Para primeiro produto parece-me que estão muito bem lançados.

Os aspectos que achei menos positivos foram o facto dos skates não estarem regulares e notar-se algum desequilíbrio (mas poderá ser só deste exemplar), a posição dos dedos anelar e mindinho, em alguns casos, pode causar algum desconforto ao fim de algumas horas, a pouca configuração dos pesos e centro de gravidade recuado pode não ser do agrado de todos, a falta de um botão para trocar de Profiles “on-the-fly” e o ajuste dos DPI’s poderia ser mais precisa. E não esquecer do problema do cabo vir vincado…

Um aspecto que achei bastante aborrecido foi o seguinte. Uma vez que o símbolo da Roccat no rato também fica iluminado, isso torna-se incomodativo quando pretendo assistir a um filme às escuras. A solução passou por criar um Profile onde desligo os led’s e atribuo esse profile ao ficheiro mplayerc.exe que é o media player que uso. A transição entre Profiles é instantânea quando inicio o programa, no entanto, o mesmo não se passa quando se sai do programa, sendo necessário abrir o software e trocar de profile.

E agora o duelo de Titãs!

À primeira vista é fácil perceber que o G9 é um rato mais pequeno e mais baixo. Mas para que não restem dúvidas ficam aqui as imagens.

O G9 tem pouco menos de 11cm…

Frente a frente

Após intensos testes (imaginem a fazer o quê…) cheguei à conclusão que são ambos excelentes ratos e não há um vencedor claro. Ambos têm as suas vantagens e os seus defeitos.

Ergonomia

Tanto o Kone como o G9 têm os seus pontos fortes e fracos, no entanto achei o Kone mais indicado para quem tem mãos grandes e o G9 para quem tem mãos mais pequenas. Quem tem uma mão grande vai achar a posição do botões lateris do G9 incorrecta. O próprio corpo do Kone assenta melhor numa mão grande. Por outro lado, o G9 tem, para já, duas capas, o que permite um melhor ajuste (mesmo assim não dão aquele volume todo que o Kone tem).

Peso

O G9 é um rato pesado! E isso não quer dizer que seja mau, muito pelo contrário, foi um dos aspecto que estabeleceu uma grande diferença entre os dois. O Kone tem um click oco, é bastante leve e passar de um rato pesado para um leve como o Kone demora algum tempo (algumas horas de treino a jog… trabalhar). Além de que o G9 permite mais de 100 combinações diferentes de pesos e coloca o centro de gravidade no meio do rato, algo que o Kone falha um pouco ao colocar o centro de gravidade mais recuado.

Materiais

A qualidade de ambos é muito acima da média. Não posso deixar de realçar que estou a falar de ratos topo de gama (se bem que o Kone seja o primeiro da marca). Apesar disso, os skates do G9 pareceram-me mais ásperos que os do Kone no tapete da Corepad e, portanto, com um deslizar mais deficiente. Um aspecto positivo para o G9 é o facto do cabo ser revestido com um material muito resistente e que lhe confere um aspecto muito bom.

Software

Neste campo nota-se algumas diferenças inerentes a cada rato. Cada um tem as suas próprioas características que não poderão ser comparadas linearmente (a configuração dos leds por exemplo) mas aquelas que podem ser comparadas o G9 leva vantagem, muito por culpa da inexperiência da Roccat. O G9 faz tudo o que o Kone faz e ainda permite alterar os Profiles on-the-fly (apesar de ter de se levantar o rato do tapete) e ajustar os DPI’s de um modo mais preciso. Por outro lado tem um bug irritante associado ao teclado (?!)…

Assim, não é possível estabelecer um vencedor claro. Depende de cada pessoa testar e comprovar o que melhor se adapta a si. Pessoalmente vou manter-me com o Kone que é o que melhor se adapta à minha pata…

0 Comentários a este artigo
  1. Aconselho aos donos de Kone que guardem bem a factura respectiva, principalmente se for a primeira versão do Kone (aqui testada nesta review). 😉 Essa primeira versão é conhecida por colapso no scroll e outros bugs. O meu tinha também defeito num dos pesos, foi para RMA. O segundo que recebi já era da segunda versão com a nova caixa, mas depois de poucos meses de uso o botão esquerdo começou a fazer irritante double-click no windows, e o direito vinha com folga. Os teclados da Roccat também têm tido bugs e problemas chatos para quem os compra… e com isto digo que a Roccat tem cenas atraentes mas precisa de apostar mais na qualidade e fiabilidade. Dá-se o desconto por ser uma marca recente, esperemos que melhorem mais nos próximos tempos. 🙂
    Cumpr.

  2. tb ouvi falar desse problema do scroll mas por acaso não aconteceu no que eu tinha… pelo menos não antes de o vender… vim a saber que mais tarde tal infortúnio aconteceu mas que foi devidamente reparado pela marca.

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