Home Periféricos Logitech G110

Introdução

A Logitech é uma marca bastante conceituada no mercado dos periféricos, uma vez que fabrica periféricos para todos os segmentos dos diferentes mercados, sempre com uma qualidade muito elevada. Os seus produtos são reconhecidos mundialmente e receberam já diversos prémios. A marca tem feito uma aposta muito forte no segmento dos jogos e isso tem dado frutos uma vez que os seus produtos, para além de muito cobiçados pela qualidade, também têm contribuído para o avanço e inovação deste segmento do mercado.

Hoje iremos testar aquele que será possivelmente o teclado da Logitech para jogos de gama mais baixa, o G110. É importante ter isto presente ao longo de todo o artigo, pois este trata-se do produto mais “básico” do segmento. Este teclado é virado para o segmento dos jogos, mas não significa que não dê para ser usado noutras tarefas mais quotidianas, como iremos ver mais à frente. Mas será este teclado indicado para uma utilização multifacetada? Tenho feito esta pergunta sobre inúmeros teclados, pois o ideal seria uma peça que permitisse uma adaptação a várias tarefas. Vamos ver então.

Embalagem, Conteúdo e Especificações

As caixas da Logitech são, desde à muito tempo, simples. Tudo o que se pede é a segurança do conteúdo e isso é assegurado. O visual não pretende cativar um público jovem e rebelde, pelo contrário, na minha opinião, está mais virado para um conhecedor amadurecido e não tem nada a provar no mercado. Quem pretende um produto Logitech não hesita.

Na parte de trás está alguma informação acerca do teclado, em diversas línguas, na qual o português não se inclui. Porém, numa das laterais existe uma pequena informação acerca do conteúdo e, aí sim, está em português também.

No interior, para além do teclado, encontramos o apoio para os pulsos, o manual de instruções, a garantia, o cd com drivers e um cartão com informações da Logitech.

Estas são as características:

  • Iluminação por LED personalizáveis
  • Audio USB integrado
  • 12 teclas G programáveis, 3 macros por tecla
  • Porta USB 2.0
  • Modos Game/Desktop
  • Conexão por USB
  • Apoio para os pulsos

O teclado

Comecemos pelo apoio para os pulsos e de referir desde já que a marca fez bem em o colocar como uma opção. Cada pessoa tem a sua posição para estar e nem sempre o apoio para os pulsos é necessário. Assim, havendo a possibilidade de retirar esta peça, o espaço que o teclado ocupa na secretária diminui consideravelmente, o que joga a favor de quem tem secretárias com dimensões mais reduzidas.

Devo referir que a unidade testada possui não layout PT, uma vez que a Logitech não fabrica teclados gaming com esta configuração (confirmado via telefone por um funcionário da Logitech), o que poderá afastar alguns consumidores. Confesso que quando liguei o teclado pensei que iria ter alguns problemas com algumas teclas, mas como já me habituei a usar o teclado sem olhar para lá, já não me faz confusão. Porém, não é o ideal para quem não tem esta prática, principalmente quando se usa as teclas de pontuação ou outros caracteres. Um ponto que reparei em relação ao teclado que uso à anos foi o facto da tecla de espaço ter um tamanho um pouco mais reduzido. Que implicações é que isto pode ter numa utilização tanto em jogos como em escrita ou outra função? Mais adiante…

O layout geral do teclado é bastante acessível e as teclas estão todas bem posicionadas, tanto as teclas G como os outros diversos botões espalhados pelo teclado, embora seja necessária alguma habituação às teclas G.

O toque das teclas é muito suave e agradável, o que contribui para o conforto ao teclar. As teclas têm um ruído muito reduzido o que é também um ponto a favor para o conforto geral. Comparando com outros teclados já testados por nós, as teclas do G110 são mais altas que o Gigabyte Aivia K8100, Microsoft SideWinder X6 e Enermax Aurora Premium (este teclado usa um tipo de teclas semelhante ao usado em portáteis), mas ao nível do SteelSeries 7G, que usa teclas mecânicas, conhecidas na altura por serem mais altas e fazerem muito barulho ao carregar. O G110 usa teclas com tecnologia de membrana que, apesar de ser uma tecnologia mais barata, não garante a mesma durabilidade que um teclado mecânico. Não esquecer, no entanto, que estamos a falar de dezenas de anos e não de poucos meses.

No canto superior direito do teclado situam-se teclas de atalho para conteúdo multimédia: Start/Pause, Stop, Previews, Next, Mute e Volume. O botão de volume, se é que assim lhe podemos chamar, é uma roda que não tem cliques e que se revelou muito prática e fácil de usar, melhor do que se fosse um botão tradicional. Os restantes botões são bastante práticos e, uma vez que têm uma configuração diferente das restantes teclas, facilmente são identificáveis, mesmo quando não se olha.

No topo do teclado situam-se mais alguns botões, o da direita liga e desliga a iluminação LED do teclado (embora ao carregar nas teclas M1, M2 e M3 volte a ligar a iluminação) e os da esquerda são os botões Mute de auscultadores e microfones que se liguem ao teclado através dos jacks que se situam na parte de trás.

À esquerda do teclado situam-se as teclas G e os botões M. As teclas G servem de atalhos para acções pré-estabelecidas pelo utilizador e podem ser configuradas para diferentes situações. Podem ser definidas para diferentes acções dentro de um jogo como simplesmente trocar de arma, agachar, rodar e reload, usando apenas uma só tecla, ou para as centenas de comandos dos jogos MMORPG, como o WoW, por exemplo, ou mesmo para uso mais profissional, servindo de atalho para comandos dentro do Photoshop, Illustrator, AutoCAD, ArchiCAD, etc. Os botões M são uma espécie de camadas dentro das funcionalidades das teclas G. O que acontece é que cada utilizador pode especificar diversos perfis dentro do software e dentro de cada perfil pode definir até três camadas de botões de atalhos (M1, M2 e M3), dando a possibilidade a que cada tecla G tenha três funções, dependendo do botão M que estiver activo. Assim, por cada perfil é possível configurar até 36 atalhos diferentes, de um modo fácil e prático. O botão MR permite configurar uma tecla G de um modo imediato, sem recorrer ao software.

Existe ainda um pequeno botão no topo do teclado que serve para alternar entre o modo Game e o modo Desktop. A diferença entre estes dois modos é pouca mas importante: o modo Game desliga a função das teclas Windows e Context Menu.

Como se pode ver na fotografia, as teclas G e F têm uma configuração diferente das restantes. Deste modo são facilmente identificáveis através do toque. De realçar também que o teclado em si não é muito elevado e que os apoios inferiores não o elevam muito, podendo não ser tão confortável para alguns utilizadores.

Na parte superior situa-se uma porta USB e os dois conectores audio. Estas conexões revelaram-se muito úteis e práticas, principalmente para quem tem a caixa do computador mais afastada ou tem cabos mais curtos para os auscultadores e microfone.

Nem a parte inferior do teclado foi deixado ao acaso pela Logitech. Existem ranhuras no teclado que servem para encaminhar cabos. Existem muitos utilizadores que gostam de usar o rato na frente do teclado mas também pode servir para outras situações. Pessoalmente uso uma pen table Wacom e que coloco na frente do teclado. Não só este teclado evita que eu tenha o cabo a passar por cima das teclas ou à volta, como também serve para ligar o aparelho. Pormenores muito bem pensados.

É possível modificar a iluminação das teclas mas a Logitech só disponibilizou dois LEDs, vermelho e azul, portanto só é possível fazer milhares de combinações entre estas duas cores. Apenas milhares de variações entre o azul, o azul escuro, o azul mais escuro, o vermelho, o vermelho escuro, o vermelho mais escuro, o rosa, etc. Acho que se percebe a ideia…

Software

O software é bastante completo e simples de usar. Esta é a “homepage” do software. Em baixo, o logótipo é o link para o site, a figura do teclado instalado, os botãos Home, Personalizar teclas G, Iluminação, Configurações e Help.

No separador das teclas G é possível configurar todas as teclas G, bastando para isso arrastar os comandos do lado esquerdo para as respectivas teclas. Em cima, estão os diferentes perfis de configurações.

É possível editar e criar mais comandos do que os que já existem, para isso basta carregar no “+” que está à frente de Comandos e uma nova janela se abre. Aqui podemos facilmente criar novos comandos e atalhos, através de opções bastante simples e fáceis de usar.

Do mesmo modo que se pode criar novos comandos, também é possível criar novos perfis a partir do zero. Ao carregar no “+” que está por baixo de Perfis aparece um nova janela com as opções de configuração do novo perfil. Muito útil quando o utilizador pretende criar perfis para outro tipo de software que não os jogos, como o Photoshop, por exemplo.

Apesar do utilizador ter a possibilidade de criar o seu perfil, também poderá carregar um perfil pré-existente na base de dados do software para determinado jogo.

Após se ter carregado o perfil desejado, existem mais opções dentro de cada perfil, algumas delas terão algumas implicações com teclados mais evoluídos, como o G19, uma vez que o software é o mesmo. Só resta arrastar os comandos para as teclas.

Este é o aspecto depois da configuração feita.

No separador da iluminação configura-se a intensidade e cor dos LEDs, entre o vermelho e o azul. A operação é bastante simples de usar.

As definições globais dizem respeito a opções gerais do teclado e a opções de perfis.

No separador Help, temos acesso ao manual de instruções, muito útil para perceber todo o funcionamento do software e do teclado.

Utilização

Eu considero haver três tipos de utilização possíveis com teclados: uma utilização tipográfica em que passamos o tempo a “martelar” nas teclas como se não houvesse amanhã, como acontece quando estamos a escrever texto, seja em conversações com amigos ou a escrever uma tese para a universidade/escola ou um artigo para o Lilireviews; uma utilização gaming em que carregamos durante largos períodos nas mesmas teclas e fazemos combinações de duas, três ou até quatro teclas, duma vez só; e uma utilização de software específico em que usamos o teclado algumas vezes como suporte ao rato ou outro aparelho (pen table), para efectuar algumas combinações de teclas ou atalhos que poderiam ser feitos na mesma com o rato. Foi sobre estes três tipos de utilização que me debrucei para testar o teclado. E que tal foi?

Após ter passado bastante tempo a escrever, que é uma coisa que até gosto bastante de fazer, devo dizer que o teclado é muito agradável de usar. As teclas têm um bater suave mas seguro, não fazem muito ruído e o facto de serem altas como os antigos teclados é uma coisa que pessoalmente aprecio, pois transmitem mais segurança do que, por exemplo, as teclas de portáteis, de baixo perfil. A tecla de espaço poderá fazer confusão a alguns utilizadores por ser um pouco mais pequena do que o habitual. À primeira vista também pensei que iria ter alguns problemas mas assim que comecei a usar apercebi-me que tinha o tamanho perfeito, pois apenas uso os polegares para carregar no espaço e apenas o faço nas pontas da tecla. Se esta fosse maior era indiferente e talvez não tivesse o mesmo desempenho; por outro lado, se fosse menor, não conseguiria usar do mesmo modo. No geral, escrever neste teclado é muito agradável.

No campo dos jogos, para o qual este teclado foi pensado, a experiência é também muito agradável. As teclas têm um comportamento bastante bom, são rápidas na viagem para baixo e para cima, permite carregar em 6 teclas simultaneamente, o que será mais do que suficiente para a esmagadora maioria dos jogadores. Para os outros que ainda precisem de carregar em mais do que 6 teclas, podem usar as teclas G. E por falar em teclas G, a sua utilização foi bastante útil, o conceito é bastante simples e intuitivo mas na prática não creio que resulte bem, principalmente porque a sua posição não é natural. Além do mais, se usarmos todas as teclas G como atalhos e todas as teclas M preenchidas, são 36 funções que temos de memorizar. Se a isto adicionarmos 5 perfis de jogos diferentes, são 180 atalhos diferentes de jogos que hipoteticamente teremos de memorizar. E estas teclas poderiam estar onde estão ou noutro sítio qualquer (por exemplo, por cima das teclas F) que seria o mesmo, para além de termos de decorar que atalho corresponde cada tecla, como o sítio onde essa tecla está, e isso sim, poderá ser o maior problema. Neste aspecto creio que uma aparelho como o Logitech G13 faz mais sentido, pois é mais específico.

Utilizo muitas vezes vários programas da Adobe e o que esses programas têm de comum é a barra de ferramentas do lado esquerdo do ecrã que me faz lembrar a disposição das teclas G do G110. Decidi colocar alguns atalhos nas teclas G para ver como se portava e o resultado foi muito positivo. Não só facilita a utilização como permite poupar algum tempo à procura de comandos através dos menus. Mas como nem todos usam os mesmo programas e eles variam muito entre si, decidi experimentar outros e o resultado foi na mesma positivo. É extremamente fácil configurar as teclas G, tanto através do software da Logitech como usando a tecla MR para criar um atalho novo instantaneamente, poupando assim muito tempo de trabalho. Para trabalhar este teclado revelou-se uma grande surpresa muito positiva.

Conclusão

A Logitech tem uma reputação muito forte no mercado dos periféricos, sejam eles de que segmento for, mas é no mercado dos jogos que a marca sobressai, sendo referência para toda a indústria. Acho que até hoje, depois de todos os produtos Logitech que me passaram pelas mãos, não consigo deixar de ficar deslumbrado pela fabulosa qualidade de construção que a marca imprime. E aqui a dúvida com que eu fico é porque razão um produto fabricado na China consegue ter uma qualidade de construção muito superior a outros produtos de outras marcas, também fabricados na China, mas que não têm metade da qualidade e que são vendidos a preços muito elevados? É que, o consumidor provavelmente não se importa de pagar o extra da qualidade, da excelente qualidade de construção do produto, se essa qualidade for mesmo excelente. Mas se esse não for o caso, o consumidor só está a pagar um preço sobrevalorizado. E isso acontece com muitas marcas… Neste caso, a Logitech fez um produto extraordinário, com uma qualidade soberba, a um preço relativamente justo, seria mais justo se o layout fosse em português.

E por falar em layout português, uma vez que este não tem essa opção, devo referir que assim, este produto se torna um pouco adverso a principiantes, que ainda olham muito para as teclas e não sabem ainda a posição das mesmas. Para todos os que já passaram alguns anos em frente ao monitor, este é um problema que quase nem se coloca. Mas seria do agrado de toda a comunidade portuguesa, e mais apelativo a todos os potenciais consumidores, que existisse efectivamente a opção de layout português.

O G110 é um teclado muito versátil, com múltiplas funcionalidades. As teclas multimédia são já uma condição básica de qualquer teclado. Porém, tenho a apontar aqui um aspecto menos positivo que é o facto destas teclas não serem configuráveis. Isto porque, apesar de funcionar perfeitamente tanto com Windows Media Player, Winamp e iTunes, os mais conhecidos media players do mercado, os dois últimos não funcionam se estiverem a trabalhar em fundo, o que significa que as teclas se tornam inúteis. Isto seria facilmente ultrapassado através de software, tal como acontece com o headset G35. Este é um pequeno reparo que poderá afectar uma grande percentagem de utilizadores adversos ao media player do windows, tal como aqui o vosso caríssimo. Por outro lado, os botões são mais rígidos do que as restantes teclas, o que me parece ser uma escolha acertada por parte da Logitech, que assim diferencia as teclas normais dos restantes botões extra, evitando assim qualquer toque acidental.

Por fim, a porta USB. Tentei ligar vários periféricos mas nem sempre com sucesso. A verdade é que consegui ligar o headset G35 e a pen table PenPartner2 da Wacom sem problemas mas já não consegui que um disco externo 2.5″ da DanElec, nem uma pen RunDisk de 4Gb, nem um leitor de cartões M2 da Sony com um cartão SanDisk de 4Gb funcionassem. Surgiu uma mensagem de erro que dizia o seguinte: “O concentrador não tem corrente suficiente disponível para fazer funcionar o Dispositivo de armazenamento de massa USB.”

Apesar de alguns problemas pequenos, o G110 é um excelente produto, principalmente quando nos apercebemos que este é o teclado de gama mais baixa da família gaming da Logitech. E isto é que realmente impressiona. Para já, quando comparado com outras marcas que fabricam produtos gaming, a Logitech tem uma qualidade que deixa todos os concorrentes a milhas de distância, não tem realmente par. O G110, situando-se no segmento em que está poderia ter um aspecto mais frágil, menos robusto, como já é normal encontrar noutros produtos, mas não, tem uma qualidade de materiais tão boa como o seus irmãos mais evoluídos, sem que isso faça disparar o preço. Isto, aliado a um grande conforto e segurança na utilização, para além das inúmeras potencialidades e funcionalidades das teclas G, fazem do Logitech G110 um produto recomendado pelo Lilireviews, mesmo não tendo layout português!

Resta-nos agradecer à Logitech por nos ter enviado este exemplar.

Enquanto consumidor assíduo de jogos ou utilizador de outro tipo de programas que poderão fazer uso de teclas de atalho, qual a tua opinião sobre este teclado? Seria uma boa escolha para o teu uso diário?

0 Comentários a este artigo
  1. Excelente teclado e review a condizer! O problema do layout em PT-PT já é uma luta de há muitos anos e não é só na Logitech. Com o tamanho do nosso mercado e também porque continuam a vender à mesma, as marcas nem se esforçam nesse aspecto.

    Eu para uso diário estou rendido ao Wave mas este G110 está muitos furos acima… Lá chegarei :mrgreen:

  2. tiago, eu sei, mas como eu AINDA não sou o dono da Logitech, não posso mandar fazer teclados mecânicos. Mas olha que este é é um bom exemplo de como os teclados de membrana também podem ser excelentes. 😉

  3. Sendo eu dono de um G15, devo dizer que uma das coisas mais úteis neste teclado deve ser mesmo aquele scroll do volume. 😉 Tive antes um Logitech Elite que tinha um scroll de volume circular/analógico e era bem melhor e rápido de usar do que o sistema de botões do G15, que passado este tempo todo por vezes até já se me “prendem” no fundo, encravando-se por baixo da parte central onde se situa o LCD. 🙁
    De resto, está um grande teclado o G110. Ah, e não se esqueçam de quando comprarem um teclado Logitech “G series” de tentarem arranjar um com layout Espanhol, é o mais parecido ao nosso layout PT. 😉

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