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Introdução

Hoje temos um periférico muito especial que promete fazer pelo computador o que o Kinect fez pela Xbox, mas espere-mos que ainda melhor.

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Estamos a falar do revolucionário Leap Motion, um controlador que permite o reconhecimento de gestos com grande precisão, numa área pequena mas que promete uma liberdade de movimentos muito grande.

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Em 2010 foi fundada a OcuSpec, a companhia responsável pelo desenvolvimento deste controlador, e depois de quase 3 anos e um grande investimento de várias entidades nasceu este produto final.

Características

  • Tamanho: 8 x 3 x 1 cm (Comp. X Larg. x Alt.)
  • Peso (Embalagem): 240 g
  • Material: Alumínio
  • Comprimento do Cabo: 0,6 cm e 1,54 m
  • Leitura de até duas mãos em simultâneo

Embalagem e Conteúdo

A embalagem do Leap Motion é tão simples quanto o aparelho em si. Nota-se que os criadores tiveram um grande cuidado no aspeto visual de maneira a não sobrecarregar os utilizadores com características e especificações escritas na caixa, até porque, como esta é uma tecnologia tão revolucionária, provavelmente o utilizador comum não tem interesse em saber que a captura de informação é feita através de 2 câmaras e 3 leds infravermelhos, assim como outras “curiosidades”.

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Ao abrirmos a caixa temos um pequeno cartão de boas vindas com o endereço onde podemos descarregar o software necessário para trabalhar com o Leap.

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Por debaixo deste cartão de boas vindas temos então acesso ao conteúdo da caixa, sendo este composto apenas por um pequeno manual e 2 cabos, e como não podia deixar de ser, o Leap. No conteúdo da caixa não temos nenhum CD com o software, isto porque não bastam os drivers para começar-mos a brincar com o Leap, são necessárias também outras aplicações desenhadas para este, e portanto quando for instalar este aparelho irá necessitar de uma ligação à internet.

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Como se pode ver o Leap Motion é um dispositivo com um desenho muito cuidado e com excelentes pormenores. O revestimento externo é constituído por alumínio, o topo por plástico protetor, e a base por uma borracha que faz com que este não derrape mesmo em planos inclinados.

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A única ligação deste dispositivo é feita por uma porta proprietária, que é uma mistura entre duas portas mini USB, e onde a ponta que ligamos ao computador é composta por uma ficha USB 2.0.

Utilização

Vamos então ao que realmente interessa neste dispositivo, a sua utilização!

Existem uma advertência que eu julgo ser essencial quando se avalia um dispositivo deste género e a qual julgo que a maior parte das pessoas se esquece: nos primórdios da informática a comunicação com o computador era feita com manivelas e botões, daqui (…) passámos para o teclado, seguido da combinação de rato e teclado à qual hoje estamos habituados e mais recentemente o toque. Se por exemplo tivermos de navegar num menu simples e organizado, um teclado deverá ser o dispositivo mais prático, se estamos a selecionar alguns ficheiros será mais fácil clicar com o rato, e se estamos a fazer scroll numa página um movimento natural como arrastar o dedo pelo ecrã será o mais confortável. Dito isto, na minha opinião, o Leap Motion não veio substituir nenhum dos dispositivos existentes, veio sim adicionar outra dimensão na interação com o computador.

Hardware

Depois de instalado o software podemos imediatamente testemunhar as capacidades do Leap através do Visualizador. Este aparelho é capaz de fazer a leitura de todos os 10 dedos das mãos, praticamente sem atrasos e com uma precisão espantosa, que segundo o fabricante é capaz de chegar à centésima de milímetro.

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Uma coisa que me espantou ao ver o Leap pela primeira vez foi o seu tamanho. Para um peça com apenas 8 cm de comprimento, a companhia que o fabrica diz que este é capaz de reconhecer gestos numa área de cerca de 22 cm3. Esta área é difícil de medir visualmente já que tem uma forma cónica, no entanto em testes, com a ajuda do Visualizador, é possível ver que esta é uma área com grande abertura, como mostra a imagem.

Para além de mãos o Leap é ainda capaz de reconhecer o que este chama de ferramentas. Estas ferramentas são objetos mais finos ou pontiagudos que um dedo, e com os quais conseguimos apontar com mais precisão. E como o software consegue reconhecer a diferença entre apontar com um dedo e com uma ferramenta, abre outras possibilidades em termos de programas.

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Depois de utilizar o Leap durante uns minutos houve outra situação que me apanhou de surpresa. Este é um aparelho que aquece consideravelmente, provavelmente por ser completamente fechado. Para além disto, num uso normal com uma e duas mãos, e entre os 3 modos de deteção disponíveis (Balanceado, Precisão e Rapidez) o software base consome entre 15% a 20% do processador usado na máquina de testes (Intel Core i5-2410M), sem contar com o programa que eventualmente vai usar esta informação.

Graças a uma boa interface dos drivers é ainda possível ver mais algumas informações interessante como o tempo de processamento, relacionado com a latência, que varia entre os 6 e 12 ms dependendo do número de dedos e mãos que estão a ser seguidos. Para além disto podemos também ver a velocidade de transferência de informação e que em geral vai desde os 30, até pouco mais de 120 frames, dependendo do modo de funcionamento.

Software

Na parte anterior da review falámos apenas das características do hardware, e nas capacidades inatas do Leap. Contudo o que faz um bom periférico não é apenas um bom hardware, mas também é necessário que a informação recolhida seja corretamente usada através do software.

A empresa que desenhou o Leap Motion tomou a decisão de criar uma Loja Virtual, muito à semelhança do que vemos nos SOs mais recentes (Windows 8, OSX ou Android), de maneira a centrar aplicações específicas deste controlador num sítio só.

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Depois de instalado o software necessário para reconhecer o Leap Motion, podemos aceder à Loja Virtual, Airspace. Aqui podem encontrar uma lista de aplicações especificamente desenhadas para o Leap, incluindo aquela mais expectável, a que permite controlar o rato com a mão de maneira a interagir com o computador como se de uma interface de toque se tratasse. Mas não só, pelo facto de este aparelho permitir uma interação tão diferente do habitual é possível encontrar aplicações inovadoras como o desbloqueio do computador com a mão, que segundo o criador do programa tem características únicas semelhantes á nossa impressão digital, bastantes jogos e aplicações de desenho e artísticas, entre outras que ainda possam ser criadas.

A primeira aplicação que testei foi, claro está, o controlo do rato com o programa Touchless. Este foi desenvolvido pela equipa oficial do Leap Motion e é assim possível deslocar o rato pelo ecrã, realizar cliques ou simular gestos como scroll ou zoom, tudo com apenas uma mão. O resultado desta experiência foi algo misto, por um lado o movimento do rato é muito fluído e fiel ao movimento da mão, no entanto os SOs atuais não foram feito para serem interagidos com toque ou com um aparelho como o Leap, e portanto, tarefas rotineiras como cliquar em ícones e botões mais pequenos chegam a ser algo frustrantes. Apesar da leitura dos movimentos ser muito precisa, não é fácil apontar com firmeza para um conjunto pequeno de pixéis no ecrã, e isto é agravado quando tentamos manter o rato num sítio e fazer um clique movendo o dedo para a frente. Por outro lado, depois de alguma habituação, tarefas que reagem a gestos em vez da posição do rato, como deslizar para os lados ou fazer scroll numa página, já conseguem ser mais gratificantes. Abrir uma galeria de imagens, fazer zoom ou saltar para outra imagem, ou explorar uma página web conseguem ser atividades mais naturais com gestos do que com um rato.

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No parágrafo anterior justifiquei a falta de conforto na interação com o SO devido ao facto de este não ter sido desenhado com toque em mente, e ao testar alguns dos jogos e aplicações desenhados especificamente para o Leap é possível notar uma grande diferença. Navegar entre menus é uma tarefa muito mais gratificante quando os botões são ligeiramente maiores e quando a seleção não é feita com um clique mas sim com a suspensão do dedo sobre estes. Jogos como o Boom Ball ou Kyoto são realmente intuitivos e mostram realmente as capacidades do Leap Motion.

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Nas experiências que descrevi atrás faço uma análise da utilização do Leap quando este trabalha como esperado, quando o reconhecimento dos dedos ou mãos é feito de forma correta, no entanto há que sublinhar que este também está sujeito a algumas falhas. A melhor posição em que a mão pode estar para ser lida corretamente é paralela ao Leap. No entanto existem várias ocasiões em que esta está um pouco mais inclinada, os dedos estão muito próximos ou apesar de encolhidos, os nós dos dedos acabam por ser confundido com a ponta, e aqui os algoritmos do Leap falham.

Por muito que a tecnologia impressione quanto à sua precisão milimétrica e quanto ao tempo de resposta, se a leitura da posição da mão é incorretamente lida é impossível para o programa reagir corretamente, e é aqui que o Leap Motion falha ocasionalmente. A maior parte do tempo que interagi com o Leap, especialmente quando apenas tinha um dedo esticado – o que acontece na maior parte das aplicações- a experiência foi gratificante, no entanto são aqueles pequenos momentos em que o seguimento da mão se perde completamente que acabam por estragar uma experiência no seu geral boa e intuitiva. Suspeito que este é um problema que pode ser resolvido no futuro com mais investimento na criação de algoritmos robustos e sem interferência no hardware, não esqueça-mos que este é um produto muito recente e sem precedentes.

Aqui fica um vídeo desta experiência, com algumas falhas como podem ver, mas que no seu geral provou ser funcional e apenas exige alguma habituação:

httpv://www.youtube.com/watch?v=N38N-W2E10s

Conclusão

Os últimos anos têm sido muito produtivos na criação de novas maneiras de controlar os nossos equipamentos, onde se têm visto um grande interesse em deixar de interagir apenas em 2 dimensões, passando para o que o nosso corpo está habituado, uma liberdade tridimensional.

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Na minha opinião o Leap Motion vai ter um lugar de destaque neste mar de novidades que têm surgido (Microsoft Kinect, Playstation Move, Nintendo Wii, Razer Hydra) e das que ainda estão para vir (Oculus Rift, Virtuix Omni).

Este é um dispositivo que não é direcionado apenas para jogos, no entanto merece atenção de todas as áreas que exigam interação com o utilizador. Existem poucas falhas técnicas que têm de ser colmatadas, como as falhas na leitura quando a mão se encontra perpendicular ao dispositivo, e também a criação de interfaces próprias para este tipo de interação. Para além destas falhas existe uma curva de aprendizagem considerável, já que apesar do Leap conseguir acompanhar quase qualquer movimento da mão, os programas que testei exigem um pouco mais de restrição, sendo a mais inconveniente o facto de ter de passar uma barreira invisível para realizar um clique.

O Leap não é ainda um produto maduro, mas assim que o for, acredito que este passe do estatuto de gadget para um componente essencial nos nossos portáteis, e neste campo a Asus poderá ser a pioneira, com a inclusão do Leap em portáteis topo de gama, segundo rumores.

As estruturas base estão lançadas, o hardware é fantástico ao nível da precisão e velocidade, e a plataforma de distribuição de programas funciona sem qualquer tipo de problemas, tanto para Windows como Mac (não me surpreenderia um suporte futuro para Linux). Fica a faltar o software que tire total partido das capacidades do Leap Motion.

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De momento a aquisição do Leap Motion apenas pode ser feita através do site oficial. Por um total de € 93.98 (€ 76.99 do Leap Motion e € 16.99 de portes) julgo que no presente estado a compra deste equipamento apenas fará sentido para alguns utilizadores como amantes de novas tecnologias ou utilizadores casuais, mas com a criação de mais aplicações que suportem este equipamento isto poderá vir a mudar. O controlo em jogos dedicados ao Leap é completamente diferente do que estamos habituados (no bom sentido) e sua precisão milimétrica permite a criação de aplicações de desenho e manipulação avançadas, contudo preparem-se para um cansaço muito maior já que este não é o tipo de dispositivo que se use com o pulso apoiado.

Quanto à pontuação final é difícil conseguir descrever num valor só as capacidades deste periférico, principalmente porque estamos a julgá-lo segundo as aplicações que foram criadas, como se estivéssemos a pontuar um rato segundo as qualidades do jogo onde foi testado. Julgo que uma pontuação de 8.5 é justa, já que existem falhas claras, mas que penso que conseguem ser resolvidas com alguns melhoramentos ao nível dos drivers.

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O Bom:

  • Precisão
  • Latência
  • Tamanho
  • Simplicidade de configuração e funcionamento

O Mau:

  • Falhas ocasionais na leitura de gestos
  • Consumo de processador

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