Ouvir as suas músicas no carro
Escrito por Luís Ferreira // 14 de Fevereiro de 2012 // Guias // 3 Comentários
Introdução
As comutações diárias são algo que muitos de nós se vêem obrigados a fazer, para ir para o emprego, voltar do mesmo, ou simplesmente ir tomar um café. Isto traduz-se em horas de vida quase perdidas já que a nossa atenção tem de estar focada na estrada e não nos podemos dedicar a mais nada, sendo a única distração legalmente autorizada o rádio. No entanto nem este muitas vezes nos consegue satisfazer, não podemos controlar completamente o estilo musical que está a passar nem quantas vezes ouvimos a mesma música no mesmo dia. Ou será que podemos?
O LILIREVIEWS apresenta aqui uma alternativa viável em termos monetários, que não implica nenhum tipo de modificação física no seu veículo nem tão pouco um esforço grande da sua parte. O que acha de ter a sua própria rádio à distância de um toque?
Ora isto é possível, com os chamados transmissores FM MP3. Explicado de forma simples, este aparelho é um género de leitor de MP3 comum com a capacidade de passar som para qualquer rádio através de uma frequência FM escolhida por si, um método sem fios e funcional de controlar o que ouve nas muitas horas de viagem.
De seguida explicamos exatamente o que é necessário para conseguir isto, e as características que deve ter em atenção quando for comprar um aparelho destes na sua loja habitual de aparelhos eletrónicos.
Transmissor FM
Este é o aspeto tradicional destes aparelhos e, se mesmo assim não souber bem o que está à procura pode usar nomes como transmissor FM, MP3 ou reprodutor FM MP3, para pedir ajuda a algum técnico ao seu dispor na loja.
O circuito que a música percorre é simples, de umas das formas enumeradas em baixo o transmissor FM recebe a música escolhida por si, de seguida os dados são transmitidos por radio-frequência, como qualquer estação de rádio que ouve todos os dias, onde a frequência tem de ser exatamente a mesma no rádio e no aparelho, de seguida o próprio rádio faz a comunicação normal com as colunas do seu carro – simples e eficaz.
A qualidade de som que consegue ter desta maneira nunca será a qualidade de CD, no entanto na minha opinião, consegue ser bastante satisfatória para o investimento monetário (baixo) que esta solução exige.
A seguir vou descrever algumas das características que deve ter em atenção quando for comprar este aparelho de modo a adquirir exatamente o que necessita sem nada a mais ou a menos.
Alimentação
A alimentação destes aparelhos é geralmente feita através do isqueiro do carro (12 V), através de pilhas ou diretamente do próprio leitor de MP3 caso este não esteja incorporado no transmissor. A alimentação feita através do isqueiro do carro é bastante cómoda e garante que nunca se irá acabar a bateria a meio de uma viagem, no entanto, há que averiguar se o sistema elétrico do carro sofre um corte quando este está desligado, e fica ativo quando o carro está ligado, isto é útil na medida em que se assim for em alguns aparelhos não se precisa de preocupar em ligar/desligar o transmissor, esta ação é automática se o aparelho assim o suportar. Para estes tipo de alimentação é usado um fusível para prevenir curto-circuitos, este pode ser visto na imagem acima.
Existe também a possibilidade do transmissor se alimentar diretamente da ligação com o leitor de MP3, no entanto todos os casos onde vi isto acontecer o transmissor FM ligava-se apenas a iDevices através da ficha única de comunicação do iPhone ou iPod. Este caso é útil para aqueles em que o isqueiro do carro não funciona ou não existe, no entanto está limitado ao tempo de bateria do aparelho.
Sistema de Ficheiros
O sistema de ficheiros apenas afeta aqueles que tencionarem usar uma pen, cartão de memória ou memória interna do dispositivo para guardar as músicas. Existem 2 pontos pertinentes aqui, o facto de o transmissor FM apenas conseguir ler ficheiros com extensões específicas (normalmente apenas MP3), e a possibilidade de poder usar ou não pastas para separar as músicas.
Interface
Se por acaso possuir um grande numero de músicas, é importante conseguir escolher a que quer ouvir de uma maneira cómoda. No entanto, o ecrã utilizado normalmente nestes aparelhos tem uma resolução muito limitada, podendo no limite apenas conseguir apresentar números e não letras. Portanto, num aparelho capaz de apresentar letras e um interface aceitável, deve conseguir sem muitos problemas navegar pelas pastas e fazer a sua escolha. Num aparelho capaz de apresentar apenas números no ecrã, o mais provável é que este numere as pastas e músicas sequencialmente, descartando o seu nome, e dificultando portanto a escolha da música.
Outra maneira de simplificar a comunicação com o transmissor é o facto de este possuir um comando. Dado que estes aparelhos são normalmente pequenos, não suportam um grande número de botões.
Por fim o transmissor pode ter a capacidade de transmitir o nome da música que está a tocar, utilizando para isto o sistema RDS (Radio Data System), esta é a mesma tecnologia usada nas rádios normais para difundir o seu nome. No entanto o seu rádio tem também de ser capaz de suportar RDS.
Fonte dos dados
Aqui existem várias opções, todas elas bastante práticas, e os exemplos apresentados aqui não se referem nunca ao rádio, apenas ao transmissor e ao eventual reprodutor de música. A primeira e mais simples é a ligação por um cabo normal de 3,5 mm (aquele usado normalmente em auscultadores por exemplo) entre o transmissor e o reprodutor de MP3 (seja este um telemóvel, tablet, PC ou pen). No entanto com isto é obrigado a transportar mais um equipamento para além do transmissor e vai estar sempre limitado à bateria deste.
Outra opção é o armazenamento dos dados num cartão de memória, pen ou até memoria interna do transmissor. Cuidado no entanto que a maioria dos transmissores FM não aceitam cartões SDHC, terão de ser cartões SD normais, e mesmo nestes é necessário ter atenção ao tamanho máximo suportado pelo transmissor. Esta penso que será a opção de eleição, é igualmente simples e não necessita de rigorosamente nenhum cabo. Algo que o pode ajudar a manter o maior número possível de músicas no mesmo espaço de armazenamento é um conversor que lhe permita reduzir a qualidade do MP3, para um valor perto de 100 Kbps, mais do que isto não deve valer a pena tendo em conta a qualidade permitida na transmissão FM, reduzindo assim o tamanho do ficheiro. Pode encontrar aqui um bom programa grátis.
A última opção, e não tão comum, é a transmissão dos dados por Bluetooth, no entanto isto cria mais dependências já que ambos os aparelhos necessitam de suportar esta tecnologia e todas as questões de emparelhamento que esta traz, no entanto continua a ser uma solução sem fios.
Na imagem acima podemos observar os 3 tipos de ligação descritos em cima, no aparelho da esquerda temos uma entrada analógica de 2.5mm e uma entrada USB, no dispositivo da direita uma entrada para cartões de memoria e outra USB.
Frequências
Como já foi dito, a comunicação entre o transmissor e o seu radio é feita por radio-frequência, sendo que o aparelho que escolher deve suportar a mesma gama que o seu rádio, normalmente de 88 MHz a 107.9 MHz. No entanto não vai precisar a todo o momento da gama de frequências total, apenas de uma escolhida por si. Esta escolha pode ser feita manualmente, ou em alguns casos, o aparelho pode ter a capacidade de percorrer a gama disponível e determinar a que irá receber menos ruído. Se tiver que fazer uma escolha pode consultar a wiki das rádios nacionais e procurar uma frequência que não esteja a ser usada na região onde costuma andar de carro, ou este site com informação das rádios usadas por zona.
A escolha da frequência vai variar dependendo da sua localização, sendo que cada terra tem as suas próprias rádios regionais ou nacionais, terá portanto de escolher uma frequência que não esteja a ser usada, e configurar a mesma no radio e no transmissor
Qualidade de som
Este ponto vai variar de aparelho para aparelho, portanto quanto à qualidade de som de cada aparelho individual não podemos especular. Podemos no entanto dar a conhecer algumas características de todos. Se optar por um meio de transmissão utilizando um cabo para fazer a comunicação entre o MP3 e o transmissor há que ter em atenção que o cabo em geral é de 2,5mm para 3,5mm, e sendo assim por muito bom que seja o leito de MP3, muitos dados são perdidos na transmissão e logo pior qualidade. Outra coisa que reparei nos modelos usados é que se for usado um volume muito alto no MP3 a qualidade de som baixa muito, portanto um volume a pouco mais de meio da escala deve ser usado, compensando o resto com o volume do rádio se necessário.
Por outro lado se for usado um cartão de memória ou pen para guardar as músicas, o canal de comunicação entre estas peças e o transmissor suporta uma largura de banda maior que um cabo de 2.5 mm, logo a qualidade de som poderá ser maior.
Existe ainda a possibilidade de o transmissor ter um equalizador incorporado, isto pode garantir uma melhoria extra no som com alguns ajustes entre graves e agudos.
Qualquer que seja o método usado para a troca de dados há que ter a noção que a qualidade de som final vai sempre depender tanto do transmissor como da antena que o recebe.
Conclusão
Nos preços que recolhi consegui encontrar dispositivos a partir de 10 €, subindo este valor a par das características que o aparelho tem. A somar a este valor terá de acrescentar a fonte da música em si, cartão de memoria ou pen se já possuir uma, ou um leitor de MP3, aqui os valores também começam a partir dos 5 € sensivelmente para pens e cartões de memória.
Portanto por sensivelmente 15€ consegue ter um sistema personalizado com as suas músicas a tocarem no seu radio habitual com um esforço mínimo e sem realizar nenhuma alteração irreversível no veículo.
Ao longo do artigo espero ter sido explícito o suficiente, e não ter causado confusão entre os elementos que tentei caracterizar, o rádio, o transmissor FM, e o eventual leitor de MP3. De qualquer maneira se persistirem algumas dúvidas podem-nas comunicar através de comentários em baixo.













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