Home Notícias Dia 2 na Web Summit 2016

web summit 2016

A Web Summit é uma fantástica cimeira de tecnologia que se realiza em Portugal de 7 a 10 de Novembro. É a primeira vez que está em Portugal e tem feito notícia em tudo quanto é media.

Quando não estava nos comes e bebes, com uma oferta variada de iguarias locais e não só que a Web Summit preparou para os media que visitavam o evento, tentei prestar atenção a algumas palestras com temas ou oradores que considerava interessantes e quando possível tirei algumas notas (mentais). Atenção que houve muito boa gente que nem saiu da Media Village e tirou máximo proveito deste local recheado boa comida e bebida.

O CTO do Facebook, Mike Schroepfer, falou sobre os principais pilares em que a empresa se vai focar nos próximos 10 anos (além de tentar comprar tudo o que seja remotamente parecido com o Snapchat) mas acabou por não trazer nenhuma novidade a quem tem estado ligado à Internet.

Um dos pilares está precisamente associado ao Acesso à Internet em todo o planeta e não parecem muito desanimados depois do “pequeno” acidente na SpaceX. Existem planos para zonas rurais e zonas urbanas para ligar à Internet 3.1 mil milhões de novos utilizadores. Para as zonas urbanas está em fase de testes um sistema de internet sem fios de alta velocidade e para as zonas rurais, para acelerar o processo, a infraestrutura vai ser montada no ar, com auxílio de UAVs. Saber mais.

O pilar seguinte está relacionado com AI, ou em português, realidade aumentada e aproveitar o poder de processamento e a base de dados de imagens desta rede social para identificar imagens. Ao fim de apenas um ano de desenvolvimento, o Facebook já tem tecnologia ativa neste campo e mesmo nos telemóveis já temos poder de processamento suficiente para aplicar diferentes filtros de estilo em tempo real tanto em imagens como em vídeo a 30 fps. Saber mais.

Como não podia deixar de ser, o terceiro pilar é realidade virtual, ou mais curto, VR. A ideia aqui é social VR, já demonstrado pelo Mark Zuckerberg, que até consegue misturar mundo virtual com o mundo real e é uma forma de juntar pessoas para as mais diferentes atividades. Neste momento, a empresa disponibiliza uma experiência básica através do GearVR, utilizando um smartphone, uma experiência de topo com o Rift, que precisa de um PC e está a desenvolver um dispositivo de VR standalone que, tal como o nome indica, deve proporcionar a experiência de realidade virtual sem necessitar de mais nada, basta colocar os óculos e automaticamente entramos no mundo virtual.

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Na apresentação com o título Finding your calling in the digital economy, com o ilustre político Carlos Moedas entre outros, onde pensei que ia perceber qual era o meu papel e espaço neste mercado digital, acabei por ouvir falar muito sobre politiquices da Europa e das “dificuldades” da Europa dos 28 e todas as barreiras que tem sido encontradas e as que já foram ultrapassadas para chegar a uma moeda digital única. Muito público e um horário apertado obrigou-me a ficar sentado no chão para dar a cadeira a participantes estrangeiros.

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O Facebook esteve em peso no Web Summit e desta vez o orador foi o CMO da empresa, Gary Briggs, que também já passou pela PepsiCo. Consegui ouvir muito pouco porque estava um mar de gente mas era sobre os desafios que o Facebook enfrenta já que é a maior plataforma social do mundo e vê-se obrigada a inovar constantemente. Também revelou algumas histórias sobre a sua passagem pela PepsiCo e fugiu à pergunta sobre qual plataforma que recomenda além do Facebook e do Instagram, dizendo que os anunciantes devem estudar bem o público alvo e o produto que pretendem vender.

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Por acidente acabei por assistir a uma apresentação do CEO da Blippar, Ambarish Mitra, que acabou por se revelar bastante interessante. Basicamente o Blippar é um AI Browser que permite apontar a câmara do telemóvel para diferentes objetos e ter acesso a uma nova dimensão que proporciona entretenimento com jogos relacionados com os produtos, informação que permite melhorar a escolha no caso de cosméticos e roupa com cores mais favoráveis tendo em conta o nosso tom de pele, ver anúncios e outros detalhes.

O Blippar tem sido um sucesso e as pessoas revelaram-se curiosas para saber mais de outros produtos que ainda não têm esta integração com AI e assim a publicidade tradicional e paga deixa de ser o único veículo de promoção uma vez que os próprios produtos podem ser parte importante da sua própria promoção e comunicação.

Esta realidade aumentada é que permite perceber melhor a realidade porque tal como diz o nome, se não entendermos a realidade, o que é que vamos aumentar?

As tecnologias a desenvolver para esta área avançar estão relacionadas com computer vision e AI.

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O Booking.com, que estava representado pela sua CEO, Gillian Tans, e que é a terceira maior plataforma de e-commerce do mundo (depois de Alibaba e Amazon) com um milhão de transações por dia e é uma das grandes empresas que apoia o movimento Women in Tech.

Os chat bots e mesmo mensagens dentro da aplicação vão ser uma realidade quando suficientemente inteligentes para dar bons conselhos aos clientes.

Hoje em dia muitas pessoas viajam sem fazer planos, escolhendo e reservando as dormidas a caminho. Não existe uma fórmula mágica para acertar na data para obter o melhor preço, pelo menos se pensarmos em termos de disponibilidade. Se existe não considerando isso, a Gillian desviou-se bem da questão mas para viagens de avião a melhor data é terça-feira, seis semanas antes da viagem.

Anúncios no Facebook são muito importantes e praticamente todo o orçamento é gasto em publicidade no mundo digital, tudo segmentado e traduzido para as mais variadas combinações de línguas e demografias. Uma pequena percentagem da divulgação também é feita offline, especialmente em anúncios de televisão. A aplicação está em constante evolução já que fazem centenas de testes diariamente.

Sobre a rivalidade Booking.com e Airbnb, entende que esta segunda também é uma excelente empresa, mas ligeiramente diferente da sua, visto que a Booking.com tem todas as opções com hotéis e alojamento local, sem cobrar taxas aos clientes.

Toda esta azáfama sobre a Brexit não afetou nem deve afetar o mercado em termos de volume mas notam-se algumas diferenças no tipo de viagens. Quem está no Reino Unido viaja mais localmente e quem está no resto da Europa viaja mais para o Reino Unido. As pessoas continuam a viajar, apenas para sítios diferentes.

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A aplicação de mensagens instantâneas Hike, representada pelo seu CEO Kavin Mitall, tornou-se recentemente num unicórnio já que recebeu um investimento de 175 milhões da gigante chinesa Tencent, empresa que já é conhecida dos interessados em League of Legends. Os grandes concorrentes desta aplicação são o Facebook Messenger e o Snapchat, este último ainda mais porque tira bom proveito do 4G, é uma aplicação rica em termos de conteúdo e experiência, e tem uma base de utilizadores mais jovens. Na Hike, 90% dos utilizadores têm entre 15 e 24 anos.

Regra geral, em cada país, existem duas aplicações de comunicação principais, uma que é muito simples e outra mais complexa. Para a Hike o conteúdo é muito importante mas não irá apostar nos chat bots a curto prazo porque considera que ainda não são inteligentes para proporcionar uma boa experiência. A aposta será mais em micro apps dentro da aplicação, semelhante ao que acontece com as notícias no WeChat.

A Hike é muito forte na Índia, país que está 2 a 3 anos atrasado e isso permite-lhes “copiar” o que resultou bem em outras aplicações. A Índia é um país em que grande parte da população está a ter o seu primeiro contato com a internet através da internet no telemóvel e é um público segmentado em três tipos de utilizadores e os menos experientes sabem mesmo muito pouco e têm uma ligação fraca. Os mais avançados são cruciais para implementar novas caraterísticas e funcionalidades.

Há várias formas de monetizar a aplicação mas o planos são para daqui a 2 ou 3 anos. Algumas ideias passam por conteúdo patrocinado num mundo virtual, stickers para utilizar em mensagens, filtros pagos e outras formas de utilizar conteúdo para gerar dinheiro tanto em transações como anúncios.

Em termos tecnológicos, o que há a desenvolver machine learning, computer vision e criar mais contexto à volta da câmara. O maior desafio para uma empresa como esta crescer, escalar, está nas pessoas.

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No que toca a impressão 3D, duas boas referências para sentir o pulso à indústria e perceber o que o futuro no reserva, serão Carl Bass, CEO da Autodesk e Maxim Lobosky, CEO da Formlabs.

A prototipagem digital está cada vez melhor mas chega a um ponto que a barreira do vidro entre o utilizador e a sua nova criação, tem de ser quebrada para avançar no processo. Aí entra a prototipagem física com recurso a impressão 3D, que estará limitada a um pequeno volume e elevado valor, ou volume médio de objetos como ferramentas. Duas áreas onde se tem visto grande implementação e bem sucedida do 3D é em medicina dentária e joalharia.

Na impressão 3D, um objeto não precisa de ser pensado só como função mas também como caraterísticas, por exemplo, otimizar para o peso ou resistência.

É uma área de nicho, para quem gosta de criar mas dificilmente vai chegar a todas as casas. Com toda a ajuda de software que existe hoje em dia, é possível fazer muita coisa sem ter grandes conhecimentos técnicos, quando comparado com outros métodos considerados tradicionais.

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O painel Virtual Reality Insanity contou com a participação de Michael Buckwald, CEO do Leap Motion, Phil Chen, investidor da área e Robert Scoble, claro entusiasta da área através da UploadVR

Este painel foi introduzido com uma apresentação tirando partido do LeapMotion que quem é minimamente interessado em VR já tinha visto há bastante tempo mas a verdade é que numa plateia supostamente da área, poucos tinham Oculus Rift ou HTC Vive e portanto a demonstração ainda arrancou uns wows valentes.

Deste painel saí com a ideia de que passar muito tempo noutra realidade não é muito saudável, que a Apple vai entrar neste espaço daqui a 11 meses e alterar a forma como assistimos TV. A gigante Google também está a caminho, segundo um dos “entendidos”.

Ver televisão de forma diferente inclui, por exemplo, ver um jogo de futebol na perspectiva do guarda-redes ou de outro jogador. É preciso é desenvolver captura volumétrica de imagens.

No entanto, todos concordam que o futuro será mais próximo de uma mistura de realidade com realidade virtual e realidade aumentada, semelhante ao que acontece no hololens e que é obrigatório ter 6 graus de liberdade para resultar, sendo que até agora, quem experimentou, só teve breves momentos em que deu para saborear outras dimensões através de demos de excelente qualidade.

A realidade virtual irá também proporcionar a quem trabalha remotamente a juntar-se num espaço de co-work com o resto da equipa que pode estar nos pontos mais distantes em todo o mundo, mas juntar-se num escritório com caraterísticas à escolha para trabalhar em determinado projeto.

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