Home Periféricos Headphones Corsair Vengeance 2000

Introdução

A Corsair estabeleceu-se em 1994 e começou o seu negócio pelo competitivo mundo das memórias, mas desde então muito mudou nesta empresa, e graças a produtos de qualidade foi possível a esta expandir-se para o abrangente mundo dos periféricos de computador. Sendo o mercado de gaming um dos nichos mais rentáveis do mundo da informática, a progressão da marca nesta direção é compreensível, embora de início apreensível já que apostaram de imediato em periféricos da gama de gaming profissional, mas pelo que pudemos ver até agora foi uma aposta ganha!

Hoje temos connosco o headset sem fios para gaming Vengeance 2000, sucedendo assim aos Vengeance 1300 e Vengeance 1500. Já aqui foi feita no Lilireviews a análise aos Vengeance 1300 aos quais foram atribuídos uma pontuação de 7, não tanto por falharem grandemente em alguma área específica mas sim por não impressionarem na qualidade de som e no seu conjunto, e portanto inevitavelmente poderei fazer comparações a este modelo ao longo da review.

Mais uma vez a Corsair aventura-se numa área nunca antes explorada pela marca, um headset wireless, e se tiverem a mesma conceção que eu este tipo de produtos costuma ser um compromisso entre potência/qualidade de som, duração da bateria e o mais importante receção sem falhas. Será bom ver o que uma marca robusta como a Corsair consegue oferecer nesta área.

Características

Especificações dos headphones:

  • Frequência de Resposta: 20 Hz – 20,000 Hz
  • Impedância: 32 Ω @ 1 KHz
  • Sensibilidade: 105 dB (+/- 3 dB)
  • Drivers: 50 mm
  • Consumo Energético: 100 mA (Recetor USB), mais 500 mA (em carregamento)
  • Conetores: USB tipo A (Recetor USB), micro USB AB (headset)
  • Wireless Range: 12 metros
  • Tempo de Bateria: Até 10 horas

Especificações do microfone:

  • Tipo: Cancelamento de Ruído Unidirecional, rotativo e ajustável
  • Impedância: 2.2 KΩ
  • Frequência de Resposta: 100 Hz – 10,000 Hz
  • Sensibilidade: -37 dB (+/- 3 dB)

 

Embalagem e Conteúdo

A caixa de transporte destes auscultadores mantém o estilo que podemos presenciar na gama Vengeance, uma caixa de formas simples e com uma janela grande na lateral para que o comprador possa observar de perto, e quem sabe, dar prioridade a este produto na altura da compra

De modo a manter a frente da caixa organizada e apenas com o essencial a apelar ao comprador, a traseira apresenta todas as características chaves deste equipamento nomeadamente: a liberdade de um equipamento sem fios, um tempo de bateria de 10 horas, a tecnologia de áudio posicional HRTF, os grandes auriculares de 50 mm e a comprovada qualidade de construção dos produtos Corsair. No entanto nenhuma das descrições é feita em Português.

O acondicionamento destes Vengeance 2000 é feito da mesma forma que no modelo base, Vengeance 1300, através de uma forma em papel reciclável com alguma resistência, mas não tanto como desejaria para um material desta qualidade.

Em relação ao conteúdo temos um kit completo de cabos, um unicamente para carregar o equipamento quando necessário e uma extensão onde podemos ligar o recetor USB, os documentos para a garantia e guia de início rápido, e o headset em si.

O headset apresenta-se de uma forma imponente que não o deixa passar indiferente. Ao contrário do modelo Vengeance 1300 que apresentava um desenho mais simples e uniforme, este 2000 pegou nesse mesmo desenho inicial, alargou os auriculares de modo a alojar a tecnologia sem fios e recebeu alguns acabamentos que simulam metal escovado e cromado.

Acompanhando a tendência do Vengeance 1500, a Corsair optou por um tecido muito suave para cobrir a memory foam usada nos auriculares, e no que diz respeito a acolchoamento a Corsair não se fez rogada, e mais uma vez temos um equipamento com todos os pontos de contacto com a cabeça do utilizador a oferecerem uma experiência muito confortável.

O microfone é deslocável de uma forma circular, e pode ser moldado em vários pontos de modo a descrever uma curva para que fique mais em linha com a boca do utilizador. Quando este está em posição de repouso, paralelo ao auricular, encontra-se desligado, e quando é descido é automaticamente ligado.

Ainda no auricular esquerdo temos um botão, um rolamento, uma luz de atividade e uma porta Micro USB. O botão permite ligar e desligar o headset, o rolamento permite o controlo do volume o que é muito útil, e por fim a porta Micro USB, a mesma usada nos telemóveis hoje em dia, pode ser usada unicamente para carregar o headset, e o uso do recetor USB é indispensável.

Os auriculares conseguem ser ajustados em vários ângulos, nomeadamente alguns graus na vertical, 90º para um dos lados de modo a ficarem pousados sem exercer pressão um no outro protegendo o microfone no interior, e alguns graus na direção contrária.

É ainda possível ajustar a sua altura com uma variação bastante grande, o que poderá agradar a pessoas com cabeças maiores. Pessoalmente uso-os nos 2 traços e meio, mas a escala consegue chegar aos 4 e meio.

Finalmente o recetor USB tem um tamanho de uma pen normal, é bastante simples e exibe um led que apenas é visto quando se encontra ligado, ficando invisível quando desligado.

Utilização

Ao pegar-mos nos Vengeance 2000 a primeira sensação que temos é de robustez, estes têm um peso não muito elevado, mas o suficiente para dar confiança ao utilizador, e qualquer que seja o ponto onde sejam agarrados estes não rangem nem se contorcem demasiado.

Ao serem colocados na cabeça damos conta da qualidade do acolchoamento, tanto na banda da cabeça como nos auriculares. A força com que estes Vengeance apertam a cabeça é pouca mas suficiente para que não se mexam sozinhos ao mínimo movimento, algo que poderá acontecer muito já que a falta de um fio a prender os movimentos dá a liberdade ao utilizador para se deslocar sem nunca ter necessidade de os tirar.

Para que estes se liguem ao recetor basta pressionar o botão no auricular esquerdo durante 2 segundos, imediatamente a luz abaixo do botão começa a piscar até que seja encontrado o recetor, e quando assim é esta começa a piscar de uma forma mais lenta, aproximadamente de 4 em 4 segundos. O rolamento que permite controlar o volume funciona muito bem também, não se ouvindo nenhum tipo de clique mesmo com o headset posto e os incrementos no volume são pequenos para que se consiga um ajuste preciso.

O bloqueio de ruído exterior deste modelo é suficiente mas limitado, em parte por não apertarem demasiado a cabeça e pelo tecido usado. Isto faz parte de um compromisso entre conforto e insonorização, ao qual a Corsair deu vantagem ao primeiro.

Para recriar ambiente surround a Corsair pediu ajuda à C-Media e à sua tecnologia Xear 3D. Dado que os grandes jogos hoje em dia já implementam a sua própria tecnologia de som, o Xear não é essencial para estes embora possa ser usado dando uma sensação de sistema de som numa sala de vários tamanhos. Já para música e filmes esta tecnologia pode ajudar ou prejudicar dependendo do gosto do utilizador.

Vamos a seguir discutir o que realmente importa, o som!

Jogos

Comecei por correr o jogo Witcher 2 ( old but gold! ), um jogo com um ambiente muito imersivo e com grande trabalho sonoro, os Vengeance 2000 foram capazes de reproduzir uma atmosfera com bastantes detalhes, e a resposta dos sons graves  nas várias situações foi sempre muito forte dando aquele murro no tímpano. Em FPSs como Max Payne 3 e World Of Tanks o facto de ser wireless não significou de maneira nenhuma um atraso no som nem limitou a capacidade do jogador.

Apesar de estes não serem auscultadores 7.1 reais, a tecnologia de áudio posicional HRTF faz muito bem o seu trabalho ao distribuir o som pelos 2 canais disponíveis deixando o jogador saber de que lado vem o movimento com alguma precisão.

O microfone capta a voz muito bem sem grandes alterações, no entanto algum do ruído ambiente também é detetado sem nunca se sobrepor à voz.

Música

Foi com grande prazer que notei uma evolução muito grande do que os drivers de 50 mm conseguem debitar lembrando a diferença em relação aos Vengeance 1300. A afinação destes Vengeance permite uma grande presença das frequências mais baixas com graves potentes sem afetar a clareza das vozes e instrumentos mais agudos. A afinação do equalizador não deverá ser dispensada já que com este conseguimos um som à nossa medida, quer esta seja graves de vibrar o cérebro ou solos de piano e voz claros. Neste caso a opção surround irá depender da música, em gravações de estúdio não adiciona nada de essencial e altera um pouco o som obrigando a um ajuste do equalizador, no entanto em gravações ao vivo ou espaço aberto esta opção acentua a sensação de um plano de som alargado.

 

Filmes

Poder ver um filme enquanto estamos sentados num sofá com total liberdade de movimentos é sem dúvida um trunfo dos headset wireless em relação aos outros! O facto de o headset encaixar na cabeça sem se mexer aliado ao controlo de volume no auricular esquerdo permitem um conforto prolongado. Como referido atrás, mesmo a uma distância considerável, o headset não apresentou nenhum atraso de som, algo que se poderia tornar incómodo. Nas cenas de suspense acompanhadas por um som grave crescente os Vengeance 2000 nunca falharam nem apresentaram falhas e vibrações estranhas, e as cenas de diálogo foram sempre muito claras. Se preferir-mos um ambiente que simule um cinema, a tecnologia surround é perfeita com os seus 3 tamanhos de salas virtuais e o perfil de equalizaçao Movies Mod-X

Transmissão sem Fios

Durante o tempo de testes, a uma distância próxima e em linha de visão com o recetor, posso dizer com confiança que estes Vengeance 2000 nunca sofreram interferências, com um router wireless por perto, pelo menos 2 telemóveis na mesma secretária, e chegando ao cúmulo de encostar um telemóvel ao auricular enquanto fazia uma chamada, nunca se ouviu o som característico de interferências de chamadas. A Corsair foi mais além com este headset sem fios ao incluir a tecnologia Adaptive Channel Hopping, Salto de Canais Adaptativo, e o que esta permite é que dentro da banda ISM dos 2.4 GHz (Industrial, Scientific and Medical) usada por muitos equipamentos sem fios, estes Vengeance saltem entre frequências 1600 vezes por segundo, e portanto mesmo que a frequência escolhida já esteja em uso o headset só a vai usar durante 0.6 milissegundos.

Quanto à distância de transmissão o headset consegue uma comunicação estável com o recetor até aos 9-10 metros, no entanto esta distância é drasticamente reduzida depois de introduzido um obstáculo como uma parede apesar de continuar a ser funcional. Contudo foi agradável notar que não existiam interferências intermitentes, ou funcionava ou não funcionava, mesmo passando por uma parede.

De modo a testar a bateria consegui que o headset percorresse uma playlist contínua de pouco mais de 10 horas até começar a ouvir um beep de minuto a minuto que indicava falta de bateria, enquanto que um led que rodeia a porta USB piscava vermelho. No entanto mesmo durante a última hora de vida em que o beep é ouvido, o volume apenas fraqueja nos últimos 2 minutos. Nesta altura bastou-me ligar a ficha USB para começar a carregar o headset e continuei o jogo como se nada se tivesse passado.

Apesar dos auriculares não apresentaram um “ruído branco” muito alto quando não está a ser emitido nenhum som, nota-se que ao fim de uns segundos de inatividade os auriculares são completamente desligados de modo a poupar bateria.

Software

O software para este headset é espantosamente simples, provavelmente dos melhores que já tive oportunidade de usar. Numa só página temos acesso a tudo, o volume do microfone e auscultadores, ao equalizador e à tecnologia de surround, tudo muito arrumado. Para além da simplicidade do layout a Corsair teve o cuidado de criar perfis de som pré-configurados por profissionais e dar-lhes um nome que explica muito bem a sua função, onde por exemplo o equalizador para FPS e MMO dá mais atenção aos tons agudos e médios por se encontrarem nessa zona mais sons como passos e vozes, e no modo Movies Mod-X vemos uma redução nesta mesma zona e um aumento no tons mais graves para um ambiente mais parecido com o do cinema. É possível ainda criar-mos os nossos próprios perfis.

Com o modo Bypass ligado a tecnologia Xear encontra-se desligada e o som é fiel ao original. Se preferir-mos recriar um ambiente aberto como um estúdio, uma sala ou um hall, podemos desligar o modo Bypass deixando a tecnologia Xear aplicar quantidades subtis de eco, atraso e reverberação.

Conclusão

A Corsair, como outras marcas conhecidas, continua a expandir o seu reportório de produtos para uma das áreas mais lucrativas, a do gaming profissional. Se se pode dizer que a qualidade de alguns periféricos é subjetiva, com certeza que um destes são os headset, o conforto depende de cabeça para cabeça e a qualidade de som das preferências de cada um. No entanto a Corsair conseguiu criar um verdadeiro all-rounder com os Vengeance 2000. A sua capacidade para reproduzir sons dos 20 Hz aos 20KHz é indiscutível, tanto em nitidez como em potência!

O seu conforto é algo que a Corsair não deixou ao acaso desde o modelo mais baixo, os Corsair Vengeance 1300, até este. A sua leveza associada aos tecidos e espuma usados permite um uso de diversas horas sem um cansaço evidente, já que o aquecimento neste tipo de auscultadores é inevitável, embora neste modelo não seja demasiado notório.

Não fosse já isto tudo suficiente para considerarmos este headset um vencedor entre os que já por aqui passaram, este consegue operar sem fios de uma maneira muito consistente. A distância máxima é mais que suficiente para andar-mos na mesma divisão descontraidamente ou até ir à do lado, e a tecnologia Adaptive Channel Hopping preveniu qualquer tipo de interferência com outras ondas.

Apesar de existir um sinal sonoro muito do final da bateria seria bom que por exemplo o led usado para indicar atividade piscasse de uma cor diferente para indicar uma percentagem de bateria. Finalmente seria bom ter um cancelamento de ruído mais eficaz e um microfone que não captasse tanto ruído de fundo, isto faz com que este headset não seja ideal para ambientes ruidosos, embora a sua potência espantosa para auscultadores wireless consiga mascarar bem este primeiro problema!

Finalmente o decisor para muitos utilizadores, o preço, encontra-se dentro da classe para este tipo de produtos. Tendo em conta que este faz tudo o que promete de uma forma muito competente, o preço de 130 € por um headset de gaming que simplesmente não falha a uma distância mais que suficiente para um gamer parece-me um preço justo a pagar.

 

O bom:

  • Não tem atrasos de transmissão
  • Controlo de volume no auricular
  • Distância de transmissão
  • 10 Horas de bateria
  • Software Simples
  • Conforto
  • Qualidade de som

 

O mau:

  • Indicador de bateria
  • Uso unicamente por USB
  • Microfone capta ruído ambiente
  • Cancelamento de ruído

Despeço-me agradecendo à Corsair por este exemplar analisado e dando uns parabéns merecidos por um equipamento de alta qualidade.

0 Comentários a este artigo

Deixar um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

Outros Artigos