Home Hardware AMD HD 6990

Numa altura de crise em que a ordem é apertar o cinto, o mercado de material informático para desktops continua a fomentar o consumo e poucos são os que, tendo possibilidade, resistem a entrar na guerra dos topos de gama. Particularmente as placas gráficas, porque os jogadores criam ligações muito fortes com algumas marcas e defendem as suas convicções de forma fervorosa.

Uma das grandes guerras é entre a AMD e Nvidia, em que ambas continuam com uma presença forte no mercado português. A legião de fãs da AMD é enorme e difícil de contrariar.

Depois de termos estado de passagem por um paraíso fiscal, as conhecidas ilhas Caimão, desta vez, vamos conhecer as Antilles (ou Antilhas em Português), a bordo da placa topo de gama AMD, a HD6990.

O lugar de número um em desempenho gráfico é o lugar mais apetecido mas o nível de exigência para ambicionar ocupar esse posto é bem elevado e a estadia não dura, por norma, mais de uns meses. Isto acontece muito por culpa dos sedentos clientes jogadores que querem máximo detalhe, extrema aproximação à realidade e fluidez óptima para aliviar o stress de um dia de trabalho numa experiência de jogo super absorvente e por isso obrigam os fabricantes a apostar na investigação e desenvolvimento para novos produtos!

Para chegar a este nível de desempenho, a AMD já nos habituou aos sistemas com dois GPUs num único PCB, desde a 3870X2.
E já que falamos na realeza das placas gráficas e na disputa pelo lugar de topo, convém fazer referência à única concorrente à altura, a NVidia GTX590, outra solução com dois GPUs também já comercializada em Portugal e da qual lançaremos uma review em breve.

Esquecendo o significado geográfico dos nomes, a HD6990 é constituída por dois GPUs nome de código Cayman com processo de fabrico a 40nm com uma área de 389mm^2 por die, que utilizam um impressionante total de 5.28 mil milhões de transístores e, no total dos dois GPUs com frequência de 830MHz temos 3072 Stream Processors para um desempenho de computação acima dos 5TFlops, 4Gb de memória GDRR5 a 1250MHz e um TDP máximo de 350W, se em default.

A ressalva para as especificações em default deve-se à tecnologia Dual-BIOS que na série HD6900 está à distância de um simples interruptor. Sem em default (BIOS1) a voltagem dos núcleos é de 1.12V, quando trocamos para o outro perfil (BIOS2) a voltagem sobe para 1.75V. Com este aumento de voltagem, recebemos garantidamente um incremento de frequência para os 880MHz nos dois núcleos. Como consequência, o TDP máximo, já contanto com a tecnologia AMD PowerTune, chega aos 450W!

Como a garantia não cobre danos causados por overclocking e também porque não é garantida a estabilidade, este interruptor está escondido atrás de um intimidante autocolante amarelo. O que inicialmente era apenas uma característica de protecção, na HD6990 foi transformada numa característica de overclocking sem garantias.

Em detalhe

Neste design de referência, o dissipador desenvolve-se a todo o comprimento da placa com uma ventoinha altamente ruidosa no centro que pretende arrefecer para os dois lados. Um dos aspectos negativos é o facto de enviar ar quente para dentro da caixa.

Esta placa gráfica consegue ter mais de 30cm de comprimento, merece alguma atenção porque ultrapassa bastante a largura da motherboard e nem todas as caixas têm tanto espaço disponível.

A solução de refrigeração adoptada faz com que esta placa gráfica ocupe 2 slots mas felizmente neste modelo as saídas de vídeo estão todas alinhadas e deixam um slot livre para melhor refrigeração.

Relativamente às saídas de vídeo, já estamos habituados a ver uma grande abundância por parte da AMD e com uma só HD6990 é possível ligar 6 monitores para a tecnologia Eyefinity. A placa tem 4 portas mini DisplayPort e uma DVI.

Na parte traseira, uma placa metálica que além de proteger os componentes ajuda a dissipar o calor produzido pelas memórias. Atenção que durante sessões de jogos esta placa fica bastante quente…

Segundo o que nos foi dito na conferência da AMD antes do lançamento desta placa gráfica, temperaturas registadas depois da substituição da pasta não seriam fiáveis e à partida, seriam piores do que as originais por isso estas fotos foram tiradas após realizarmos as nossas medições.

E eis um grande plano da da brigde de crossfire interna!

A alimentação adicional da placa é feita através de 2 conectores de 8 pinos. Sabendo que a placa pode precisar de até 450W, esta configuração para alimentação será levada ao limite.

Testes, Overclocking e Resultados

Como já conhecemos a placa gráfica, vamos ver que tal é o seu desempenho! Neste artigo tentamos traduzir em números a capacidade desta placa, recorrendo a alguns jogos e outros benchmarks populares que são normalmente utilizados como padrão por toda a indústria.

Em termos de metodologia seguimos sempre a mesma linha. Os resultados que aqui apresentamos são a média dos valores obtidos nas 3 vezes que corremos cada teste. Só nos resultados com overclock não adoptamos este método.

Como não nos foi facultada nenhuma placa gráfica da NVidia capaz de competir com a AMD HD 6990 (ou seja, a GTX590) e visto que muitos utilizadores já leram a nossa review da AMD HD6950 1Gb, decidimos incluir esse modelo na comparação.

Sistema de Testes
Motherboard: Asus P8P67 Deluxe
Processador: Intel Core i7 2600K @ 4.9GHz
Memória: Gskill RipjawsX 2133MHz CL9
Placa Gráfica: AMD HD 6990 e AMD HD6950 1Gb
Disco: Kingston SSDNow V+ Series 64Gb Raid0
Fonte de Alimentação: Coolermaster Silent Pro M 1000W

Jogos

Esta é claramente uma placa gráfica para entusiastas de jogos. Os jogos foram testados com as definições no máximo, AA a 8x e AF a 16x são apenas duas das referências. A resolução utilizada foi 1920x1080p num ecrã de 50”.

Aliens vs Predator

Battlefield Bad Company 2

DiRT 2

FarCry 2

Stalker – Call of Pripyat

Crysis Warhead

Just Cause 2

Metro 2033

Resident Evil 5

Suites Futuremark

Estes benchmarks são alguns dos títulos mais conhecidos da Futuremark e permitem apurar a competência da placa gráfica e do sistema em geral e comparar numa imensa base de dados com resultados de todo o mundo.

3DMark 03

3DMark 05

3DMark 06

3DMark Vantage

Outros

Unigine Heaven

Mais uma das aplicações que entra nas comparações do HWBOT.org e utiliza em pleno o DX11.

Overclocking

Em termos de overclocking, os valores que apresentamos foram conseguidos sem alterar as voltagens default, porque tivemos de nos manter com o dissipador stock e a alimentação, pelo menos em teoria, já está pelas costuras. Chegámos a uma frequência de 960MHz nos núcleos e 1295MHz em 4Gb de memória GDDR5, suficientemente estável para correr as suites da Futuremark.

Para perceber melhor a diferença de desempenho que este overclocking ligeiro a ar, relembramos que a mesma placa, em default chegou aos 35820 marks no exigente 3DMark Vantage com uma contribuição de 36825 marks por parte da placa gráfica. Com overclocking, eis o resultado:

Consumo Energético

Um dos naturais problemas destas soluções multi-GPU está relacionado com o consumo energético. Por isso a AMD desenvolveu duas tecnologias, a PowerTune, que mantém vários pontos dos GPUs monitorizados de forma a evitar problemas de sobreaquecimento e também a ULPS que serve para dificultar a vida a quem quer fazer overclocking. Ups! Não era bem isto! Esta característica desactiva um dos núcleos em quando o sistema está em idle e é a causa de muitos blue screens se a placa gráfica for sujeita a overclocking. Fizemos algumas medições em idle e stressando apenas o GPU e eis a tabela de resultados:

Para manter as temperaturas relativamente controladas numa solução tão potente, a AMD teve de utilizar uma solução ruidosa. Esperamos que os parceiros comecem a disponibilizar soluções próprias e mais silenciosas. Atenção a quem comprar placas com o design de referência porque remover o dissipador pode acabar por estragar um dos autocolantes da garantia que normalmente aparece em cima de um dos parafusos do backplate.

Conclusão

Uma placa gráfica focada claramente no mercado entusiasta é sempre uma alegria de analisar. Também é mais fácil chegar às conclusões porque o nível de performance é imbatível, pelo menos considerando plataformas com apenas uma placa gráfica.

Com o desempenho abismal que a HD6990 mostrou ao longo dos nossos testes a 1080p, é óbvio que esta placa gráfica faz sentido em configurações que tirem partido da tecnologia Eyefinity com resoluções elevadas. Além da configurações em termos de monitores, convém ter um PC que não limite muito as capacidades da placa gráfica.

O preço é proibitivo. Mas claro, haverá sempre mercado para quem quer ter sempre o melhor desempenho possível, quem só está bem sabendo que tem a melhor placa gráfica da rua ou para quem gosta de hipotecar. Brincadeiras à parte, o preço é elevado mas já sabemos que quem procura uma placa gráfica com máximo desempenho, tem de pagar bem por isso.

O consumo energético devia ter sido tratado com mais cuidado porque embora em idle não seja muito elevado, quando puxamos pela gráfica, o consumo dispara. Na mesma proporção que sobe o consumo, também sobe o nível de ruído produzido. É que com a ventoinha acima dos 40% já não se pode estar por perto…

Quantos leitores já estão rendidos à HD6990? Qual a vossa opinião sobre o topo de gama da série HD6900 da AMD e da batalha com a NVidia?

Um agradecimento à AMD por ter emprestado este sample para review.

0 Comentários a este artigo
  1. ganda bicho! é fruta a mais para mim… eu contentava-me com uma Powercolor HD6870 Eyefinity 6 mas não se pode ter tudo… 😀

    ganda review marco, é disto que nós gostamos! 😉

  2. Um verdadeiro “cavalo” de força. Quando perante tamanha performance, o barulho deixa de ser crucial e até com tampões nos ouvidos havemos de jogar/benchar.
    Mais uma review à altura do hardware, parabéns Marco!

    • Nós deste lado do oceano também estamos apertados com impostos e fica difícil comprar placas gráficas desta gama. Mas ainda há quem tenha essa possibilidade 🙂

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